sábado, 23 de novembro de 2024

Onde moram os gênios


A gente sempre espera encontrar um museu a céu aberto quando está na Itália, mas é verdade também que esse mergulho no passado pode causar diferentes sensações através desse túnel do tempo. Explico: não é como se todo lugar levasse ao mesmo período de uma época, como o império romano, por exemplo, tal qual Roma. Tive esse sentimento ao chegar em Florença. Era como estar no cenário de um livro de Shakespeare ou algo do tipo.

Era tarde quando chegamos de Veneza, então, ao sairmos para reconhecer o entorno, já havia escurecido. Mesmo não sendo a visão ideal, ficamos bastante impressionados com a beleza e o estilo diferente da Catedral Santa Maria del Fiore ou Duomo. Ela ficava no caminho do mercado e foi outro lugar pelo qual passamos diversas vezes. Em uma delas, entramos para conhecer todo o seu esplendor: subterrâneos, túmulos e anexos como o batistério e o Museo Dell'Opera de Duomo.

O Mercado Central foi a primeira boa descoberta, um lugar para explorar a gastronomia toscana. Queijos, presuntos, vinhos e quitutes. São muitas opções de degustação e um astral que nos levou a elegê-lo como parada obrigatória, antes de retornarmos para o hotel ao final de um dia de passeios. Lá nos alimentávamos e nos aquecíamos com algumas taças de vinho em noites muito frias.

Seguindo o nosso roteiro, a primeira visita foi à Igreja Santa Maria Novella e ao convento anexo. Tudo grandioso e de um estilo bem típico e único daquela região. O interior recoberto de pinturas que retratam passagens da bíblia é de uma beleza ímpar. O colorido nas pinturas retratadas no altar impressiona. Essa construção foi patrocinada pelos ricos cidadãos da cidade, na Idade Média. Grandes artistas da época foram responsáveis pelas diversas obras encontradas em seu interior, inclusive Michelangelo, o qual, na ocasião, era um iniciante. No púlpito dessa basílica foram feitas as primeiras acusações a Galileu, sendo portanto, um lugar cheio de história.

Conhecemos o Palazzo Vecchio, hoje sede da prefeitura da cidade. Dentro dele um enorme museu guarda obras de diversos grandes artistas italianos. Sua arquitetura tem traços de um castelo e possui uma torre, a Torre de Arnolfo, um símbolo do lugar. Logo na entrada uma fonte com um deus grego dá um toque de beleza. As lembrancinhas medievais são o que há de precioso. Comprei um pequeno cavaleiro templário que adorei. Um dos seus salões foi utilizado nas filmagens de Inferno, com Tom Hanks, e aproveitamos para observar os detalhes dos ambientes exibidos no filme.

Não podíamos deixar de ir à Galeria da Academia, a primeira de desenho da Europa e onde estão algumas das mais belas obras de Michelangelo. Lá tiramos fotos ao lado da estátua de Davi, a mais famosa delas. Fomos também à Galeria Uffizi, onde vimos algumas pinturas dele e de outros ícones renascentistas. Esse lugar guarda a belíssima pintura O Nascimento de Vênus, de Botticelli, a qual encanta qualquer um. Comprei algumas lembrancinhas com a reprodução dela, porque não tem como não o fazer, ante os seus encantos. Além disso, como a galeria é ornada com as estátuas dos gênios italianos da arte e da ciência, tirei fotos com as de: Da Vinci, Galileu, Michelangelo e Dante Allighieri.

Por fim, embora semelhante a outras de Florença, entramos na Igreja ou Piazza de Santa Croce, em italiano. Nela encontramos pinturas e esculturas que são incríveis obras de arte, além de afrescos dos artistas Giotto e Donatello. Ela é famosa não somente por isso, mas também por abrigar diversas tumbas de grandes nomes como Galileu, Maquiavel e Michelangelo. Um fantástico mergulho no passado histórico-cultural da cidade.

Se já foi indescritível andar pela marcante Florença, vê-la de cima estando na Piazzale Michelangelo era o que faltava. De lá se tem uma visão panorâmica e a primeira construção que vemos é o Duomo de Florença e, mais ao longe, a Torre de Arnolfo. Foi uma longa caminhada para subir até lá, mas valeu a pena por tudo o que vimos e fotografamos.

Como na maioria das cidades que visitamos, ela também é cortada por um rio, o Arno. Este banha a região da Toscana e proporciona uma bela visão no final da tarde e à noite, com o reflexo das luzes e a vista da Ponte Vecchio, a ponte de pedra mais antiga da Europa. É bem diferente de todas que já tínhamos visto, pois possui casas e lojas suspensas. É uma curiosidade à parte e proporciona registros imperdíveis.

Uma das coisas mais divertidas que aconteceram foi descobrir, após alguns dias, ouvindo música brasileira no café da manhã, que o garçom do refeitório era baiano. Logo no início, ficou inibido de nos contar, mas depois que perguntamos sobre as músicas, tivemos essa boa surpresa. Esse hotel foi uma escolha acertada. Além do agradável café, era bem localizado, próximo dos maiores pontos de interesse e da estação central, o que facilitou duas viagens de bate e volta, que ainda fizemos. Mas isso é assunto para um outro texto. Ufa! Haja história!

23/11/2024