sábado, 23 de março de 2024

O segundo passo de um sonho - Parte 2

 

Louvre e sua Pirâmide de vidro

Seguindo o nosso roteiro e movidos pelo entusiasmo, partimos para viver experiências diversas e únicas, as quais guardamos no plano dos sonhos concretizados.

O Museu des Invalides, ou de l'Armée foi um dos primeiros lugares a nos impressionar com o imponente mausoléu de Napoleão em seu salão de entrada e um acervo inigualável sobre a Segunda Guerra Mundial. A sensação foi de ver a história bem de perto e mais do que no Museu da Guerra em Londres, aquele passado parecia muito palpável. Andamos por todas as salas e, após nos sensibilizarmos com tudo o que vimos, na saída nos deparamos com um mural com as quantidades de mortos correspondentes a cada país participante da guerra. Foi uma tomada de consciência impactante, a qual marcou aquele momento.

Uma outra visita significativa foi a ida ao Panthéon. Logo na entrada somos recebidos pelo curioso pêndulo de Foucault, datado de 1851, e criado para demonstrar a rotação da terra em relação ao seu próprio eixo. Lá estão preservados os túmulos de genialidades como Rousseau, Lagrange, Marie e Pierre Curie, Victor Hugo e muitos outros. A beleza dessa construção é indescritível assim como o sentimento de estarmos próximos a essas pessoas, mesmo elas não estando mais entre nós fisicamente.

Foi interessante relembrar o relacionamento de Rodin com Camile Claudel, quando visitamos a linda casa dele. Nós nos divertimos e nos admiramos tirando fotos ao lado da famosa estátua do "Pensador". Adorei conhecer as esculturas de Camile que estão lá. São lindas. Dizem que ele só despontou devido à ajuda dela, utilizando-se do talento nato da sua aluna e a desprezando, quando não foi mais necessária aos seus interesses.

O Louvre, no entanto, é algo mais. Pelo seu tamanho é preciso escolher quais as civilizações a serem visitadas, então focamos nas nossas favoritas. Apaixonados por história antiga, ficamos deslumbrados com os artefatos dos maiores impérios datados de antes de Cristo. Como não poderia ser diferente, nos apressamos em ver o quadro da diva de Da Vinci, a Monalisa. Foi uma surpresa descobrir que era uma pintura pequena comparada à nossa expectativa e à grandeza dessa obra. A segurança em torno dela é bem maior do que no resto do museu e, com razão, visto que já houve uma tentativa de ataque contra ela. Fora do museu ainda encontramos a famosa pirâmide de vidro, citada no livro "O Código Da Vinci". Ficamos tentando ver o que havia embaixo dela a fim de conferir se a descrição feita na obra era ou não uma ficção.

No bairro moderno La Défense existe o Grande Arco. Foi construído, também, em estilo moderno. Nós nos surpreendemos ao constatar que ele estava alinhado com os outros dois: o Arco do Triunfo do Carrossel e o Arco do Triunfo. Do Grande Arco é possível vermos os outros dois em uma reta. E não são próximos. Uma maravilha da Cidade Luz. Na visita ao famoso Arco do Triunfo, nos admirarmos com a riqueza de detalhes de incrível beleza e com a homenagem aos mortos na Primeira Guerra Mundial, em forma de uma pequena chama no chão, que nunca se apaga, e com o registro de centenas de nomes de soldados vítimas desse conflito. De lá, naturalmente seguimos para a avenida Champs Élysées, com suas pomposas lojas para ricos. Olhamos as vitrines só para nos divertir com os escandalosos preços das mercadorias vendidas a quem não tem mais com o que gastar.

É preciso dizer que muitas das estações de metrô são uma atração à parte e muito diferentes umas das outras. Algumas antiquíssimas em idade e estilo e outras novas e modernas, superinteressantes também. Ficávamos maravilhados com a facilidade de ir de um ponto ao outro por esse meio de transporte. Além disso, a cidade parece um museu a céu aberto com construções antológicas, monumentais, grandiosas e preservadas por toda parte onde andamos.

No último dia, desafiamos nossas pernas e subimos centenas de degraus para conhecer a Basílica de Sacré-Coeur e nos maravilhar com a vista da cidade. A parte ruim foram os vendedores de fitas coloridas, os quais reproduzem o comportamento insistente dos que fazem o mesmo na Igreja do Bonfim. Temos de ter cuidado e jogo de cintura para nos desvencilharmos deles. Mas a parte boa é a animação dos artistas que tocam na escadaria. Mesmo com os músculos doloridos pela subida, fomos bater perna no Cemitério Père Lachaise, também um ponto turístico. Lá vimos o visitadíssimo túmulo de Jim Morrisom e jazigos de lendas como La Fontaine, Edith Piaf, Allan Kardec, Chopin, Oscar Wilde, além de homenagens impressionantes a vítimas da Segunda Guerra Mundial.

Não poderíamos deixar de conhecer a mais famosa das Notre Dames na Île de la Cité.  E estando lá, são imperdíveis a Conciergerie, antiga prisão da época da Revolução Francesa e onde Maria Antonieta ficou presa antes de ir para a guilhotina, e a Sainte Chapelle, igreja com fascinantes vitrais. Foi preciso um dia inteiro para conhecermos o Palácio de Versalhes, o mais invejado e copiado pelos reis da época, com suas infinitas salas e jardins gigantescos.

Para fechar de forma glamourosa, fizemos um passeio pelo rio Sena, que banha a cidade, vendo toda a sua beleza por um outro ângulo. Foi um final tão perfeito que, no momento em que o barco retornava, era hora de começar a escurecer, e as luzes da Torre Eiffel acenderem, dando um verdadeiro show para quem a observava.

Tudo isso só foi possível porque o Brasil e o resto do mundo viviam uma outra realidade. Hoje a Cidade Luz, repleta de moradores de rua, perdeu um pouco do seu brilho, e o luxo convive com a pobreza, que aportou às margens do seu belo rio. Não há como se deslumbrar diante do cenário de abandono em que vive o povo francês.

Au revoir, Paris!


22/03/2024


 

sábado, 16 de março de 2024

O segundo passo de um sonho - Parte 1

 

Primeira vez diante da Torre Eifel

Tudo começara com o sonho de conhecer Paris. Embora, por uma questão de logística, não fosse a primeira cidade pela qual passaríamos na nossa investida inicial no velho continente, ela era o princípio de tudo.

Dizem que se você conhecer Londres antes de Paris, o encantamento com a Cidade Luz não será o mesmo. Decidimos arriscar. Constatamos que não é uma crença de todo errada. O deslumbre com Londres de certa forma ofusca a visão quando se chega a Paris. Foi preciso passar alguns anos para que recuperássemos ou reconstruíssemos as nossas ideias pré-concebidas da cidade mais cobiçada pelos turistas do mundo inteiro.

Tivemos muita sorte quando fomos elaborar o nosso roteiro. Um colega de trabalho, que acabara de voltar de lá, me emprestou o mapa da cidade com todos os pontos turísticos e estações de metrô. Isto significou uma ajuda inimaginável. Fizemos uma bela lista de lugares, os quais gostaríamos de conhecer, colocamos em uma ordem lógica de acordo com a localização e, para cada local, descrevemos como chegar, utilizando o mapa.

Após coletarmos informações na Internet sobre os pontos turísticos a serem visitados, além de opções de restaurantes e lanchonetes, concluímos nosso roteiro. Para chegarmos lá, optamos por pegar o trem bala que vai direto de Londres. Partimos da estação St. Pancras e chegamos à Gare du Nord, em Paris, após atravessarmos o Canal da Mancha, passando pelo Eurotúnel, por baixo do mar.

Nosso hotel era bem próximo ao metrô. Era só atravessar a rua e lá estava a estação La Motte-Picquet Grenelle, de onde saíamos para qualquer lugar que quiséssemos. A malha ferroviária da cidade é completa e fácil de ser entendida. Rapidamente aprendemos a chegar aos nossos pontos de interesse. Sem precisarmos andar muito tempo, chegávamos a Torre Eiffel. É claro que esse era o lugar pelo qual mais ansiávamos conhecer. Sendo próximo ao hotel, logo fomos até lá. Nunca esquecerei a emoção de estar diante da construção mais famosa do planeta.  Foi como se nunca tivesse visto aquela forma. Afinal, embora soubesse como ela era, não imaginava a sua magnitude e grandiosidade. Fiquei extasiada e senti uma emoção advinda da realização de um sonho, o qual sabia estar vivendo, enquanto contemplava o símbolo daquela cidade.

Depois disso, iniciamos nossa jornada pelos mais belos e famosos pontos daquela cidade. Passamos uma semana em que aproveitamos os longos dias de verão para conhecer o máximo que pudéssemos. Foi assim que nos deslumbramos com o Arco do Triunfo, a Champs-Élysées, a Ilha de la Cité com a Catedral de Notre-Dame, a Conciergerie e a Sainte-Chapelle, as Galerias Lafayette, o Grand e o Petit Palais, o Jardim de Luxemburgo, o Louvre, o Museu des Invalides, o Panthéon, a Place de la Concorde, a casa de Monet, a gigantesca Sacré-Coeur e até o Cemitério Père Lachaise, onde muitas celebridades estão enterradas, passando por ruas e praças e pontes icônicas. Tentamos não deixar nada de relevante fora da nossa lista e, para tanto, tínhamos 5 dias pela frente.

Continua na próxima semana

15/03/2024

sexta-feira, 8 de março de 2024

A primeira viagem dos sonhos

Atravessando a Abbey Road

 

Desde a adolescência, eu tinha o desejo de conhecer a Europa. Naquela época tão inviável, o sonho já era uma espécie de viagem. Foram muitos anos até que a primeira oportunidade surgisse. Parecia algo tão grande que até uma rusga de medo se mesclava à vontade de realizar essa primeira jornada além-mar.

Vencidos os receios de me comunicar em uma outra língua que não dominava, decidi conhecer, com a família, Londres, Paris e Estrasburgo. E depois para aliviar o cérebro da prática de um inglês limitado, iríamos para Lisboa. O ano era 2011.

Inicialmente não estava nos planos ir para o Reino Unido, mas o desejo de pisar na terra de vários ídolos nossos e de um povo icônico foi maior. É claro que o valor da Libra Esterlina já assustava na época, então três dias seriam o nosso fôlego financeiro para aproveitar o máximo daquele lugar, cujo verão permitia o dia seguir claro até as 21 horas.

O roteiro foi meticulosamente elaborado para suprir a nossa inexperiência nesse tipo de viagem. Além disso, a sorte do principiante nos abraçou. Com essa combinação, já no avião conhecemos um casal que seria recebido por uma amiga brasileira. Esta nos auxiliou na chegada em Heathrow e nos orientou de como chegar ao nosso hotel. Ela comprou no aeroporto nosso cartão Oster, que pagaria nossas passagens de metrô. Em seguida, nos colocou no ônibus que nos levaria à estação de trem o qual nos conduziria até Londres. Ao descer na Estação Victoria, logo reconhecemos o caminho ao nosso simpático hotel, visto que o havíamos percorrido pelo mapa do Google. Facilidades da tecnologia.

Rapidamente descobrimos que a Libra tinha força e comprava muito, compensando seu alto valor. Além disso, encontramos bons lugares para fazer nossas refeições com preços acessíveis e ótimos sabores. Lá conheci o delicioso arroz indiano e o Kebab, equivalente ao churrasco grego no Brasil. Almoçamos um típico prato do país, Fish and Chips, com o toque de um purê de ervilha em um agradável pub, só para não deixar de conhecer esse tradicional tipo de taverna inglesa. Até uma galeteria onde trabalhavam alguns brasileiros próxima à nossa hospedagem foi uma boa surpresa.

Com o mapa da cidade e do metrô em mãos, facilmente chegávamos aos nossos pontos de interesse. Como estávamos hospedados em um local próximo às construções mais famosas, pudemos ir caminhando até o Palácio de Buckingham, Big Ben, Ponte de Westminster, Tower Bridge, Torre de Londres e Abadia de Westminster (Catedral onde o príncipe William havia casado recentemente, e onde ainda havia os souvenires comemorativos).

De metrô fomos a Trafalgar Square, Covent Garden, Museu Britânico, a inigualável sala de shows Albert Hall, onde os maiores artistas ingleses se apresentaram e, numa noite histórica, Einstein discursou quando estava exilado na Inglaterra, em 1933. Do outro lado da rua nos deparamos com o Hyde Park, o Central Park dos londrinos. Lá passamos pela última residência da Princesa Diana, cujo portão estava repleto de buquês de flores em homenagem a sua ex-moradora.

Também tiramos fotos na Abbey Road, na tradicional pose que imita os 4 Beatles atravessando essa rua. Andamos na London Eye, a roda gigante a qual proporciona uma visão privilegiada da cidade, e visitamos o Museu da Guerra. Este último preserva a história da participação inglesa na 2a. Guerra Mundial, um espaço fantástico para quem se interessa pelo assunto. Tem até simulação de ataque aéreo para quem está em uma casa, de forma similar ao que ocorria aos ingleses, quando os alemães jogavam bombas sobre Londres. 

Tiramos fotos no que seria a Casa de Sherlock Holmes e passamos pela chiquérrima Oxford Street, já que olhar não paga. Para fechar faltou apenas um passeio pelo rio Tâmisa, perdido em razão de uma chuva. Esse rio se tornou marcante para nós quando, acidentalmente, meu filho deixou seu relógio cair em suas águas. Como ele era ainda um menino e adorava esse artefato, chorou muito. O jeito para confortá-lo foi lembrá-lo da magnitude e importância do rio que para sempre guardaria o estimado objeto.

Apesar do curto tempo para uma cidade tão múltipla e com infinitos pontos para se conhecer, conseguimos percorrer quase tudo o que havíamos planejado e o principal não escapou à nossa vista. Saímos de lá encantados e apaixonados pelo que vimos, segundo uma amiga francesa, um risco para quem iria, na sequência, a Paris.

 08/03/2024