| Louvre e sua Pirâmide de vidro |
Seguindo o nosso roteiro e movidos pelo entusiasmo, partimos para viver experiências diversas e únicas, as quais guardamos no plano dos sonhos concretizados.
O Museu des Invalides, ou de l'Armée foi um dos primeiros lugares a nos impressionar com o imponente mausoléu de Napoleão em seu salão de entrada e um acervo inigualável sobre a Segunda Guerra Mundial. A sensação foi de ver a história bem de perto e mais do que no Museu da Guerra em Londres, aquele passado parecia muito palpável. Andamos por todas as salas e, após nos sensibilizarmos com tudo o que vimos, na saída nos deparamos com um mural com as quantidades de mortos correspondentes a cada país participante da guerra. Foi uma tomada de consciência impactante, a qual marcou aquele momento.
Uma outra visita significativa foi a ida ao Panthéon. Logo na entrada somos recebidos pelo curioso pêndulo de Foucault, datado de 1851, e criado para demonstrar a rotação da terra em relação ao seu próprio eixo. Lá estão preservados os túmulos de genialidades como Rousseau, Lagrange, Marie e Pierre Curie, Victor Hugo e muitos outros. A beleza dessa construção é indescritível assim como o sentimento de estarmos próximos a essas pessoas, mesmo elas não estando mais entre nós fisicamente.
Foi interessante relembrar o relacionamento de Rodin com Camile Claudel, quando visitamos a linda casa dele. Nós nos divertimos e nos admiramos tirando fotos ao lado da famosa estátua do "Pensador". Adorei conhecer as esculturas de Camile que estão lá. São lindas. Dizem que ele só despontou devido à ajuda dela, utilizando-se do talento nato da sua aluna e a desprezando, quando não foi mais necessária aos seus interesses.
O Louvre, no entanto, é algo mais. Pelo seu tamanho é preciso escolher quais as civilizações a serem visitadas, então focamos nas nossas favoritas. Apaixonados por história antiga, ficamos deslumbrados com os artefatos dos maiores impérios datados de antes de Cristo. Como não poderia ser diferente, nos apressamos em ver o quadro da diva de Da Vinci, a Monalisa. Foi uma surpresa descobrir que era uma pintura pequena comparada à nossa expectativa e à grandeza dessa obra. A segurança em torno dela é bem maior do que no resto do museu e, com razão, visto que já houve uma tentativa de ataque contra ela. Fora do museu ainda encontramos a famosa pirâmide de vidro, citada no livro "O Código Da Vinci". Ficamos tentando ver o que havia embaixo dela a fim de conferir se a descrição feita na obra era ou não uma ficção.
No bairro moderno La Défense existe o Grande Arco. Foi construído, também, em estilo moderno. Nós nos surpreendemos ao constatar que ele estava alinhado com os outros dois: o Arco do Triunfo do Carrossel e o Arco do Triunfo. Do Grande Arco é possível vermos os outros dois em uma reta. E não são próximos. Uma maravilha da Cidade Luz. Na visita ao famoso Arco do Triunfo, nos admirarmos com a riqueza de detalhes de incrível beleza e com a homenagem aos mortos na Primeira Guerra Mundial, em forma de uma pequena chama no chão, que nunca se apaga, e com o registro de centenas de nomes de soldados vítimas desse conflito. De lá, naturalmente seguimos para a avenida Champs Élysées, com suas pomposas lojas para ricos. Olhamos as vitrines só para nos divertir com os escandalosos preços das mercadorias vendidas a quem não tem mais com o que gastar.
É preciso dizer que muitas das estações de metrô são uma atração à parte e muito diferentes umas das outras. Algumas antiquíssimas em idade e estilo e outras novas e modernas, superinteressantes também. Ficávamos maravilhados com a facilidade de ir de um ponto ao outro por esse meio de transporte. Além disso, a cidade parece um museu a céu aberto com construções antológicas, monumentais, grandiosas e preservadas por toda parte onde andamos.
No último dia, desafiamos nossas pernas e subimos centenas de degraus para conhecer a Basílica de Sacré-Coeur e nos maravilhar com a vista da cidade. A parte ruim foram os vendedores de fitas coloridas, os quais reproduzem o comportamento insistente dos que fazem o mesmo na Igreja do Bonfim. Temos de ter cuidado e jogo de cintura para nos desvencilharmos deles. Mas a parte boa é a animação dos artistas que tocam na escadaria. Mesmo com os músculos doloridos pela subida, fomos bater perna no Cemitério Père Lachaise, também um ponto turístico. Lá vimos o visitadíssimo túmulo de Jim Morrisom e jazigos de lendas como La Fontaine, Edith Piaf, Allan Kardec, Chopin, Oscar Wilde, além de homenagens impressionantes a vítimas da Segunda Guerra Mundial.
Não
poderíamos deixar de conhecer a mais famosa das Notre Dames na Île
de la Cité. E estando lá, são imperdíveis a Conciergerie,
antiga prisão da época da Revolução Francesa e onde Maria
Antonieta ficou presa antes de ir para a guilhotina, e a Sainte
Chapelle, igreja com fascinantes vitrais. Foi preciso um dia inteiro para conhecermos o Palácio de Versalhes, o mais invejado e copiado pelos reis da época, com suas infinitas salas e jardins gigantescos.
Para fechar de forma glamourosa, fizemos um passeio pelo rio Sena, que banha a cidade, vendo toda a sua beleza por um outro ângulo. Foi um final tão perfeito que, no momento em que o barco retornava, era hora de começar a escurecer, e as luzes da Torre Eiffel acenderem, dando um verdadeiro show para quem a observava.
Tudo isso só foi possível porque o Brasil e o resto do mundo viviam uma outra realidade. Hoje a Cidade Luz, repleta de moradores de rua, perdeu um pouco do seu brilho, e o luxo convive com a pobreza, que aportou às margens do seu belo rio. Não há como se deslumbrar diante do cenário de abandono em que vive o povo francês.
Au
revoir, Paris!
22/03/2024

