Diferente de todas as outras cidades em que estive com minha família na Europa, Estrasburgo, na França, foi um lugar ao qual voltamos outras vezes. Três passagens ao todo. O motivo: é onde mora uma grande amiga, uma quase irmã. Quando chegamos pela primeira vez no paraíso das cegonhas, sabia por ela que se tratava de uma região encantadora, mas não fazia ideia do quanto.
Ao descer na estação de trem e pegar um moderno bonde elétrico, já fiquei encantada com o transporte público. Não tivemos nenhum problema de nos deslocar com nossas malas. Assim que descansamos de um longo trajeto que havíamos feito nos dias anteriores, saímos para conhecer a parte mais antiga. Um local que ainda conserva todo um sítio de construções medievais, denominado Petite-France e com lindas casas em estilo enxaimel, em razão de sua origem alemã. Para aumentar a nossa admiração, é também cortada por um afluente do Rio Reno, o qual percorremos em um barco que nos proporcionou uma visão inesquecível da parte histórica. Nele atravessamos uma eclusa e tivemos a oportunidade de ver além do que o passeio a pé permitiria.
Na época, embora verão, ainda nos deparamos com um pouco de frio. Com esse clima, a vontade de tomar um café quentinho, quando estávamos na rua, seria inevitável. Porém, numa dessas, ao entrar numa cafeteria que vendia também café gelado, me enganei e pedi um com gelo. Triste foi a minha expressão ao olhar para o copo. Já que era frio, não seria servido em uma xícara. Estávamos meu marido e eu flanando romanticamente pelas antigas ruas de nomes estranhos, quando isso aconteceu. Logo a frustração se transformou em piada para ser contada ao retornarmos à casa da amiga.
Essa incrível cidade também é sede do Parlamento Europeu e fomos conhecer o moderno prédio ladeado pelas bandeiras dos países integrantes desse bloco. E como ela também tem a sua Notre-Dame fomos nos admirar com a sua construção de infinitos detalhes, e uma história impressionante de um relógio construído com inúmeras funções, que não puderam ser usadas. Fica a dica de se pesquisar a respeito.
Foi lá que, na segunda vez em que fomos, descobri a minha lanchonete preferida, o Paul, onde conheci o que seria meu quiche favorito, o Lorraine. Conhecemos, também, as tarteletes francesas salgadas e doces. Curiosamente elas foram o prato principal e a sobremesa de uma jantar, primeiro a salgada e depois a doce, uma comida que, quando voltamos, tivemos de saborear novamente e no mesmo restaurante. Na ocasião era Carnaval então, em um desses dias, cruzamos com o que identificamos como um inusitado bloco, segundo nossos parâmetros, como ex-organizadores de uma troça de Olinda. A começar pelo ritmo da música, para nós aquele grupo soava como algo folclórico, uma espécie de reisado alsaciano. Mas... cada um com seu Momo.
Como está situada na Alsácia, um local onde a rota dos vinhos se insere, tivemos a oportunidade de conhecer diversos vilarejos de contos de fadas, como Riquewihr, Eguishein e Ribeauvillé, Colmar e Obernai, essas duas últimas nossas favoritas as quais visitamos uma vez mais. Todos embelezados por flores que decoram casas e ruas, enchendo de cor suas tradicionais construções.
Depois de familiarizados com a cidade, o supermercado se tornou uma parada obrigatória. Gostávamos de comprar vinhos e queijos deliciosos a preços completamente acessíveis. Uma oportunidade. Então no final do dia, era a nossa forma de ir nos despedindo. Algumas taças, um delicioso queijo para acompanhar e na volta só a saudade daqueles lugares e sabores. Estrasburgo se tornou o nosso destino final em várias viagens. No fim, um excelente lugar para encerrar os nossos roteiros.
28/10/2023


