Uma das melhores coisas de nossa passagem por Munique foi nos hospedarmos em frente a estação de trem. Ao chegarmos de Berlim, foi suficiente atravessarmos a rua para, antes de nos cansarmos com as malas, estarmos em nosso quarto. Foi também um facilitador para o café da manhã. Em uma lanchonete que servia deliciosos pãezinhos para todos gostos, fazíamos nosso desjejum, em seguida pegávamos o metrô para iniciarmos os passeios.
Nosso primeiro destino foi o prédio da prefeitura, uma linda construção que é também um lugar turístico e um ponto de encontro. Além disso, duas vezes por dia tocava uma música e acontecia um show de bonecos. Com todos esses predicados era normal haver concentração de pessoas e um clima descontraído. Passávamos por lá diversas vezes por ser um lugar próximo a outras atrações. Foi nas suas imediações que conhecemos duas agradáveis Cervejarias.
Tivemos a sorte de estar na Paulaner, uma tradicional casa e marca de Cerveja, quando um grupo de animados torcedores do Bayer de Munique chegaram de um jogo onde o time deles havia saído vencedor. Foi divertido testemunhar a alegria dos barulhentos torcedores, todos vestidos a caráter com curiosos artefatos com as cores do famoso Clube.
Monumentos, igrejas, teatros e prédios públicos em diversos estilos antigos nos deixaram encantados. Era preciso escolher um Palácio para visitar e fomos ao Residenz, hoje um museu de decoração de interiores, após ter servido de residência para Reis da Baviera. Com 130 salas, quando começamos nossa caminhada nos primeiros salões, ficamos impressionados com a beleza do lugar. Mas após passar por dezenas de quartos, ja não distinguíamos um do outro e nem víamos o fim, como se estivéssemos em um labirinto, então procuramos a saída e nos apressamos rumo a outros destinos. Foi inusitado.
Em geral gostamos de almoçar um dia em um mercado local de onde estamos, então comemos no Viktualienmarkt em uma das mesas de madeira em uma praça cheia de barracas de comida. Para variar, comemos um dos típicos pratos de linguiça da região, não sem antes nos atrapalharmos para entender a diferença entre as opções existentes, na hora de fazer o nosso pedido, coisa que Alemão não tem paciência para, característica normal nos europeus e aparentemente pior na Alemanha.
Conhecemos belos lugares, mas nada comparado ao Castelo Neuschwanstein. Pegamos um trem junto com uma guia brasileira muito simpática e, após duas horas em uma agradável viagem, chegamos a Füssen. De lá tomamos um ônibus até a pequena cidade do castelo. Embora final do inverno, nos deparamos com um cenário coberto de neve e um lago congelado, no qual antes de retornarmos, experimentamos a sensação de andar se equilibrando sobre o gelo.
Para subirmos a pequena colina onde fica o castelo, o transporte foi uma carruagem puxada por lindos cavalos com longas crinas. Lá pudemos confirmar que, de fato, se parece com o da Cinderela criado pela Disney. Dizem que foi a inspiração para os americanos. Além da beleza, possui uma história peculiar. O rei Ludwig II que o construiu, era alguém com talento para arquitetura e decoração, na época considerado características pouco aceitas em um homem, então o taxaram de louco e o tiraram do trono. Velhas histórias de antigos preconceitos.
Em contrapartida no nosso ultimo dia na cidade, fomos conhecer o Campo de Concentração de Dachau, onde funcionou uma prisão mista com opositores do regime, padres e pessoas consideradas de raças inferiores. Senti que seria a experiência mais impactante, então me preparei para esse momento. Saber o que aconteceu é diferente de estar no lugar onde o extermínio se processava. Teve um efeito profundo em nós ver os objetos e documentos dos prisioneiros, fotos com detalhes da forma degradante e animalesca como viviam e a descoberta de que ali foram também presos e mortos centenas de padres pendurados pelos pés. O museu criado no local nos conta e mostra histórias tão chocantes que nos faz pensar em como o ser humano consegue ser tão ultrajante e inacreditavelmente perverso. E o pior é pensar que ainda existem tantas pessoas mundo afora que apoiam e adotam gestos e ideias de regimes fascistas promotores de atrocidades do tipo.
Foi mais um momento de aprendizado em uma viagem cheia de descobertas e surpresas. Primordialmente sobre um povo regrado que paradoxalmente tem a cerveja (com regras estabelecidas e selo de pureza) e a Oktoberfest como instituições nacionais.
13/10/2023

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