![]() |
| Atravessando a Abbey Road |
Desde a adolescência, eu tinha o desejo de conhecer a Europa. Naquela época tão inviável, o sonho já era uma espécie de viagem. Foram muitos anos até que a primeira oportunidade surgisse. Parecia algo tão grande que até uma rusga de medo se mesclava à vontade de realizar essa primeira jornada além-mar.
Vencidos
os receios de me comunicar em uma outra língua que não dominava,
decidi conhecer, com a família, Londres, Paris e Estrasburgo. E
depois para aliviar o cérebro da prática de um inglês limitado,
iríamos para Lisboa. O ano era 2011.
Inicialmente não estava nos planos ir para o Reino Unido, mas o desejo de pisar na terra de vários ídolos nossos e de um povo icônico foi maior. É claro que o valor da Libra Esterlina já assustava na época, então três dias seriam o nosso fôlego financeiro para aproveitar o máximo daquele lugar, cujo verão permitia o dia seguir claro até as 21 horas.
O roteiro foi meticulosamente elaborado para suprir a nossa inexperiência nesse tipo de viagem. Além disso, a sorte do principiante nos abraçou. Com essa combinação, já no avião conhecemos um casal que seria recebido por uma amiga brasileira. Esta nos auxiliou na chegada em Heathrow e nos orientou de como chegar ao nosso hotel. Ela comprou no aeroporto nosso cartão Oster, que pagaria nossas passagens de metrô. Em seguida, nos colocou no ônibus que nos levaria à estação de trem o qual nos conduziria até Londres. Ao descer na Estação Victoria, logo reconhecemos o caminho ao nosso simpático hotel, visto que o havíamos percorrido pelo mapa do Google. Facilidades da tecnologia.
Rapidamente descobrimos que a Libra tinha força e comprava muito, compensando seu alto valor. Além disso, encontramos bons lugares para fazer nossas refeições com preços acessíveis e ótimos sabores. Lá conheci o delicioso arroz indiano e o Kebab, equivalente ao churrasco grego no Brasil. Almoçamos um típico prato do país, Fish and Chips, com o toque de um purê de ervilha em um agradável pub, só para não deixar de conhecer esse tradicional tipo de taverna inglesa. Até uma galeteria onde trabalhavam alguns brasileiros próxima à nossa hospedagem foi uma boa surpresa.
Com o mapa da cidade e do metrô em mãos, facilmente chegávamos aos nossos pontos de interesse. Como estávamos hospedados em um local próximo às construções mais famosas, pudemos ir caminhando até o Palácio de Buckingham, Big Ben, Ponte de Westminster, Tower Bridge, Torre de Londres e Abadia de Westminster (Catedral onde o príncipe William havia casado recentemente, e onde ainda havia os souvenires comemorativos).
De metrô fomos a Trafalgar Square, Covent Garden, Museu Britânico, a inigualável sala de shows Albert Hall, onde os maiores artistas ingleses se apresentaram e, numa noite histórica, Einstein discursou quando estava exilado na Inglaterra, em 1933. Do outro lado da rua nos deparamos com o Hyde Park, o Central Park dos londrinos. Lá passamos pela última residência da Princesa Diana, cujo portão estava repleto de buquês de flores em homenagem a sua ex-moradora.
Também tiramos fotos na Abbey Road, na tradicional pose que imita os 4 Beatles atravessando essa rua. Andamos na London Eye, a roda gigante a qual proporciona uma visão privilegiada da cidade, e visitamos o Museu da Guerra. Este último preserva a história da participação inglesa na 2a. Guerra Mundial, um espaço fantástico para quem se interessa pelo assunto. Tem até simulação de ataque aéreo para quem está em uma casa, de forma similar ao que ocorria aos ingleses, quando os alemães jogavam bombas sobre Londres.
Tiramos fotos no que seria a Casa de Sherlock Holmes e passamos pela chiquérrima Oxford Street, já que olhar não paga. Para fechar faltou apenas um passeio pelo rio Tâmisa, perdido em razão de uma chuva. Esse rio se tornou marcante para nós quando, acidentalmente, meu filho deixou seu relógio cair em suas águas. Como ele era ainda um menino e adorava esse artefato, chorou muito. O jeito para confortá-lo foi lembrá-lo da magnitude e importância do rio que para sempre guardaria o estimado objeto.
Apesar do curto tempo para uma cidade tão múltipla e com infinitos pontos para se conhecer, conseguimos percorrer quase tudo o que havíamos planejado e o principal não escapou à nossa vista. Saímos de lá encantados e apaixonados pelo que vimos, segundo uma amiga francesa, um risco para quem iria, na sequência, a Paris.
08/03/2024

Nenhum comentário:
Postar um comentário
Comenta aqui o que você achou