Faltavam três dias para o ano novo, quando pousamos em Nova York: meu marido, meu filho, um casal de amigos e eu, sob um frio congelante. Considerando que nunca havíamos tido contato com tão baixas temperaturas, foi um choque. Algo em torno de zero grau ou menos. Para agravar, ventava muito, afetando negativamente a sensação térmica.
Não perdemos tempo, porque a estadia seria curta. Já que estávamos próximo, fomos conhecer a 5a. Avenida, a gigantesca loja da Apple e o Central Park. Nos dias seguintes, conhecemos o essencial, exceto a Estátua da Liberdade, fechada em razão da recente passagem do furacão Katrina. Um desses lugares foi o porta-aviões Intrepid, ancorado no Rio Hudson, um programa para todas as idades. Lá vimos nevar pela primeira vez. É claro que ficamos bobos que nem crianças. Tiramos muitas fotos para registrar o momento e foi uma alegria que nos preparou para o dia do réveillon.
Quando o dia de romper ano chegou, nossa expectativa era enorme. Víamos nos filmes a Times Square, outro símbolo dessa cidade, e as ruas ao redor lotadas para essa comemoração. Fizemos planos para nos juntarmos aos que aguardariam a virada do ano e a descida da bola, uma famosa tradição anual, onde uma bola iluminada vai descendo de uma torre durante os últimos 60 segundos do ano, seguindo uma contagem regressiva.
A primeira surpresa foi não conseguirmos acessar a 5ª Avenida, que ficava quase ao lado de onde nos hospedamos. Depois, descobrimos que a Times Square também estava inacessível para nós. Nesse caso, colocaram grades de proteção e só passavam os previamente credenciados. Como desconhecíamos essa regra, após chegarmos o mais perto que nos permitiam, eu perguntava a todo
momento onde estava a bola, porém tudo o que veríamos seria a esfera parada, aguardando sua descida, porque os arranha-céus da região tapavam a visão. Só restou retornarmos ao hotel a fim de assistirmos pela TV do hall ao que estava acontecendo bem ao nosso lado. Confesso que fiquei decepcionada.
Para não ficar de graça, tiramos uma foto com os tradicionais policiais americanos que costumamos ver nos filmes ao lado das grades de proteção. Embora me sentisse meio tola por isso, foi um consolo de última hora, antes de nos recolhermos, visto que, após a meia-noite, as ruas imediatamente esvaziam. Vai entender!
O dia seguinte, no entanto, representava diversão garantida porque partiríamos para Orlando, não sem antes passarmos por algumas emoções, no mau sentido. O primeiro susto foi, ao chegarmos no metrô, prestes a pegarmos o trem para o aeroporto, eu dar falta da minha bolsa com todos os documentos. Na pressa, deixei-a em uma gaveta, já que estava com outra na mão e não percebi. A solução foi meu marido ir buscá-la. Logo após, quando descemos na estação onde pegaríamos um trem intermunicipal, fomos para o ponto errado e quando descobrimos, havíamos perdido tempo suficiente para, ao chegarmos ao aeroporto, não conseguirmos embarcar. O que faríamos? Atordoados com o incidente, enquanto discutíamos a questão, uma brasileira que morava lá, ouviu nossos lamentos e se ofereceu para ajudar.
De uma forma sucinta, posso dizer que ela resolveu tudo para nós. Até discutir com o recepcionista da companhia aérea ela discutiu. Ela trocou as passagens emitiu novos bilhetes, pagou as taxas e assim por diante. Ao fim, dissemos a ela que foi um anjo que havia caído do céu para nos salvar naquele momento. Três horas depois, pegamos o voo seguinte para nos divertirmos muito na Disney. Mas isso já é outra história.
Não posso dizer que lamentei a breve passagem por Nova York, porque o frio naqueles dias, mesmo bem agasalhada, parecia algo incontornável. As mãos e os pés estavam sempre congelando e isso era incômodo. Valeu pela vista impagável do Rockfeller Center e seu elevador com teto estrelado, pelo Intrepid, pelo Central Park nevado e pela 5a. Avenida. São lugares icônicos e cenários de uma centena de filmes. Para um primeiro encontro foi inesquecível e será sempre uma referência. A visita completa e sem frio estava reservada para nós dois anos e meio depois. Não veríamos a bola, entretanto, conheceríamos uma cidade, além dos pontos turísticos, aquilo que é na realidade a sua essência, os lugares onde seus moradores frequentam e que verdadeiramente os representa. Algo como entender o espírito das músicas cantadas pelos antológicos novaiorquinos Simon e Garfunkel.
27/04/2023
