sexta-feira, 11 de agosto de 2023

Amor à primeira visita

Jardins do Chateau Frontenac

 

Como o sistema de trens no Canadá funciona perfeitamente, saímos de Toronto e chegamos em Ottawa em uma tranquila viagem sobre trilhos. Lá, fomos surpreendidos por um friozinho de verão e pelos prédios governamentais em estilo londrino. A parte onde se concentram nos transporta para a terra da monarquia. Isso se faz presente na cerimônia da troca da guarda, à qual assistimos em uma manhã, e na incrível reverência à rainha Elisabeth II, na época ainda viva. Tivemos a sorte de assistir também a um belo show de luzes e imagens projetadas na fachada do Parlamento. Sentimos uma energia fantástica e uma expectativa contagiante, com todos sentados na grama em frente.

No bairro ByWard Market, um movimentado centro de entretenimento, lojas e restaurantes, assistimos a uma cena não esperada por nós. Foi quando um grupo de torcedores sentados nas portas de carros, com o corpo para fora, gritavam como loucos em comemoração à vitória do seu time. O local era circular e eles ficavam dando voltas nessa algazarra, que destoava da educação daquele povo. Antes de irmos embora, ainda fomos ao Museu de Guerra Canadense, o qual é focado na participação do país na Segunda Guerra Mundial. Para quem gosta do assunto, como nós, é uma outra visão que não temos nos museus especializados da Europa. Nesses, pouco se fala da importância da colaboração do Canadá, nesse evento. Recomendo. Foi uma breve, porém rica passagem pela capital, de onde partimos para Quebec.

Assim que descemos do trem e começamos a andar pela cidade para encontrar o nosso hotel, me apaixonei imediatamente pela cidade. Parecia estarmos na Europa. Antigas construções em estilo francês e tudo preservado. Uma gigantesca muralha sobreviveu ao tempo e é uma incrível viagem ao passado. Cheia de fortificações com portais de entrada e saída, belas ruas com construções em pedra na parte histórica, um lugar que nos proporcionava fotos fantásticas. Algumas delas com o Rio São Lourenço, ao fundo, que mais parecia o mar. O desnível em relação às águas oferece vistas que nos encantavam.

A visão que tínhamos ao lado do Chateau Frontenac, um suntuoso hotel de 650 quartos, estilo castelo, fazia eu me sentir em uma cena de filme, com uma fotografia impressionante. Dos seus jardins na cidade alta, víamos abaixo o rio com suas águas azuladas e as árvores que embelezam suas margens.

Não nos cansávamos de andar pelas velhas ruas com seus jardins e comércio atrativo para turistas. Seus restaurantes eram um incentivo para gostarmos ainda mais daquele lugar. Tivemos a sorte de estar lá no festival de música anual de Quebec e adoramos. Os grupos musicais do país eram muito bons e podíamos assistir de graça e sem apertos.

Foi uma outra cidade no Canadá onde nos sentimos acolhidos. Lá conhecemos um morador que, além de ser gentil conosco, nos disse que adorava a sonoridade do nosso português, algo que não havíamos ouvido antes. Também encontramos uma brasileira, que era dona de uma loja de souvenirs, e nos contou que, apesar das temperaturas negativas que enfrentava no inverno, nunca passou o frio que sentia em sua cidade natal em Santa Catarina. Reflexos de um Brasil que não se prepara adequadamente para todos os climas a que está sujeito.

Ficamos impressionados com uma encomenda que vimos na porta de uma casa. Elas eram deixadas sem problemas, quando os donos não estavam. Uma civilidade incomum para nós de um país de terceiro mundo. Foi um lugar que me conquistou de várias formas e para se pensar em revisitar. Uma província que no passado foi uma colônia francesa e, que algumas vezes, é merecidamente referida como “La belle province” (“A bela província”).


11/08/2023