
No topo do Rockefeller com o Empire State ao fundo
Confesso que não fico confortável em elevadores. E sei que não sou a única afetada por este sentimento. Não foi sempre assim. Comecei a ficar com o pé atrás com esse meio de locomoção, depois do dia em que estava dentro de um e testemunhei um senhor entrar em pânico, porque a porta não abria.
Nesse caso, a falha não me assustou, mas sim a reação de quem se descontrolou. Isso deixou um registro negativo no meu subconsciente. No entanto, foram muitos anos até que essa lembrança começasse a fazer sombra. Descobri que a coisa era mais ameaçadora nas cabines com tamanhos reduzidos.
Tive de relevar os casos de elevadores minúsculos para não perder a simpatia por pousadas e hotéis, onde fiquei hospedada. A primeira experiência estranha nesse sentido foi com um instalado em um antigo hotel em São Francisco. A porta de madeira era inteira e abria lenta e pausadamente para a lateral. Sua estrutura era ultrapassada e eu sempre achava que a porta não iria conseguir se abrir. Parecia até que era movido à manivela.
Depois desse, me deparei com um modelo novo, mas muito apertado para três pessoas com malas. Então, era necessário, nesse caso, dividir as viagens. Porém, eis que no dia de ir embora, para que descêssemos de uma só vez, meu marido resolveu encaixar nós e a bagagem nessa caixa estreita. Porta fechada, botão apertado, e nada de o famigerado sair do lugar. Eu que já não estava nada confortável com a situação, logo comecei a ficar com um frio na espinha. E haja apertar botão! E o meu filho a rir, imaginando que estávamos presos. A graça era, exatamente, porque eu estava assustada. Humor de adolescente. Foi só quando achei que estava tudo perdido e pensei em começar a rezar, que o dito cujo resolveu descer e abriu a porta, cuspindo-nos para o hall de entrada. Em seguida, fui logo avisando: “Em outra dessa eu não entro”.
Nossa aventura seguinte foi em um cubículo em Roma. O prédio era antigo e não havia espaço para uma cabine normal. Então, inseriram praticamente uma caixa minúscula de madeira no meio da escada onde só cabia, com esforço, uma pessoa e uma mala média. Nesse eu evitava andar até sozinha, pois uma gaiola seria mais espaçosa. Curiosamente, encontramos quase uma réplica dele em Barcelona. A diferença era que nesse cabiam três pessoas bem juntinhas ou uma pessoa com duas malas. Eu também não andava sozinha aí. Só não era pior porque havia sempre uma pequena abertura com vidro de onde se via a troca de andares.
Entretanto, nem só de elevadores estranhos vive o viajante. Então, durante a subida no Rockfeller Center, em Nova York, tivemos a oportunidade de ir assistindo a imagens do universo projetadas no teto como se fossem em 3D. Foi literalmente uma viagem, pois era como se estivéssemos sendo lançados para fora da terra. Nem sentimos os 70 andares. Um outra experiência positiva foi o elevador panorâmico na Intendência de Montevideo, o qual nos leva a um mirante no topo do prédio de onde se tem uma das melhores vistas da cidade. Durante a subida já vamos tendo uma bela prévia da que nos espera.
Por outro lado, em um moderno ascensor de um hotel, em Miami, quase fiquei presa em razão dos embelezamentos da modernidade. Entrei sozinha para ir ao térreo pegar uma água mineral e, quando a porta fechou, ao olhar para o local dos botões, achei que a indicação dos andares era onde tocávamos para selecionar o número, enquanto enxerguei o botão como algo decorativo. Passei um tempo tentando acionar o que parecia uma tecla sem resultado, até começarmos a descer, porque alguém havia chamado no térreo. Ao chegar, peguei a água e fui entrar novamente para retornar ao quarto. Desta vez, tinha uma mãe americana com filhos pequenos, entrando junto comigo. Foi quando, constrangida, perguntei no meu inglês tupiniquim como selecionava o andar. A mãe olhou para mim e, com um tremendo ar de desprezo, apertou o botão, que eu havia achado que era só uma parte decorativa.
É claro que me achei uma tola. Entretanto, foi, exatamente, o que consegui pensar na hora, porque não vi quando ela escolheu o andar para onde iria, permanecendo sem saber como fazer isso também. Uma situação embaraçosa. Imaginei que ela ficou pensando se eu tinha algum problema de atraso mental ou era mesmo uma turista lerda de terceiro mundo.
É por essas e outras razões que não gosto, quando chego em prédios ultramodernos, onde não tem nem botão de andar no painel dos elevadores. A seleção já é feita no corredor e os elevadores param em andares previamente definidos. É muita sofisticação para uma função tão simples! Quase desnecessária.
26/08/2023