Não era como se fôssemos andar por vinícolas a degustar vinhos. Na verdade, nem chegamos a tomar ao menos uma taça nesse roteiro. Como estávamos na região da Alsácia, aproveitamos para conhecer algumas cidades medievais, onde tradicionalmente se produz essa bebida.
Saímos de Estrasburgo e fomos conhecer as antigas cidades germânicas de Obernai e Colmar, hoje Comunas Francesas, um tipo de unidade territorial. A primeira nos conquistou imediatamente. Demoramos, explorando suas construções primordialmente no estilo enxaimel, uma herança da origem alemã. Numa outra ocasião, voltamos lá para rever aquelas ruas e casas, as quais nos deixaram saudosos. Foi quando entrei em uma loja de queijo e, ao degustar um dos produzidos pela casa, fiquei apaixonada pelo sabor. Animada, pedi que cortassem um pedaço para levarmos. Não sabia que seria tirado de uma enorme peça, onde uma fatia estreita ainda corresponderia a um peso e valor significativos. Foi o queijo mais caro que já comprei. Precisei disfarçar o choque ao ver o valor na etiqueta. Mas como "quem converte não se diverte", decidi rir da situação e pagar resignada.
Considerando que era inverno, escurecia cedo e demoramos em Obernai, chegamos tarde em Colmar. Isso foi empecilho para termos uma real visão da beleza do lugar. Apenas tivemos uma ideia do que havia para ver. Isto nos fez retornar em uma outra ocasião, e foi como se nunca tivéssemos conhecido antes. O canal, que atravessa a cidade, e as casas históricas e coloridas proporcionam vistas impressionantes e lindas fotos. O que destoou no dia em que voltamos lá foi o protesto dos conhecidos "coletes amarelos", uma manifestação justa, mas sempre com o risco de um conflito com a polícia, afinal os franceses não costumam engolir, calados, injustiças ou ameaças.
Em um outro dia, o roteiro seria iniciado por Bergheim. Era um domingo e a antiquíssima Comuna parecia um lugar desabitado. O frio, o dia da semana e horário de almoço foram determinantes para o vazio das ruas, um cenário inesperado. Mas teve suas vantagens. Parecia que todas estavam livres para nós. Tudo tão bonito e perfeito que, logo na entrada, o portal típico das vilas medievais nos deixou encantados.
Uma breve passagem por Riquewihr, uma vila habitada por donos de vinícolas e negociantes do ramo, nos deu uma ideia da riqueza gerada pelas plantações de uva na região. Das lindas e caras peças artesanais de decoração que vimos em suas lojas para turistas, compramos uma pequenina tigela para ficar de registro do lugar.
De lá, finalizamos a rota dos vinhos na turística Ribeauville, a mais famosa delas. Os casarões cheios de enfeites e restaurantes semelhantes a grandes tavernas a diferencia das outras. À semelhança das demais, também possui uma bela torre com relógio na entrada. Com diversas lojas de souvenirs e lugares para comer comidas típicas, experimentamos um Quiche Lorraine, o qual se tornou o meu favorito. Esses lugares são totalmente influenciados pela tradicional arquitetura alemã e preservados. Um estilo mantido de um tempo anterior ao descobrimento do Brasil, contando história e permitindo que as pessoas convivam com o novo e o antigo sem perder a sua identidade e memória, algo que estamos longe de aprender.
11/01/2024
