sábado, 30 de dezembro de 2023

O inesquecível sabor de queijo

 

Torre Wasserturm e ponte coberta Kappellbrücke             


Após um razoável café no Budget, onde estávamos hospedados em Berna, partimos em direção a Lucerna. Uma cidade com predicados que nos fez inseri-la no nosso diminuto roteiro na Suíça. Quando entramos em suas ruas movimentadas, a primeira preocupação foi encontrar um lugar para estacionar o carro. Eis que o milagre da tecnologia logo nos apontou onde havia estacionamentos por perto, então deixamos o carro em um, e fomos explorar o centro a pé.

O frio foi nosso companheiro nesse dia. Uma chuva fina quase atrapalhou nossa aventura, mas seguimos dispostos. Isto foi recompensado com a visão da mais velha ponte coberta da Europa, a Kappellbrücke. Construída em madeira sobre o Rio Reuss, possui uma torre denominada Wasserturm, a qual já serviu a diversos propósitos, até mesmo como capela. Sua função era ligar a cidade velha à nova, além de protegê-la de ataques vindos do lago. Até então, nunca havíamos conhecido uma com essa estrutura.

Como a partir de uma das margens do rio é possível visualizar parte dos Alpes, no inverno, a visão dessas montanhas cobertas por neve estimula a nossa admiração. Da mesma forma, o reflexo, sobre as águas, do conjunto de construções históricas que margeiam o rio, nos provocava a mesma sensação. Passamos um tempo nos deslumbrando com essas paisagens.

A Jesuitenkirche, ou Igreja dos Jesuítas, é uma dessas maravilhas. Uma impressionante construção barroca feita na contrarreforma, um movimento católico que reprimia a onda protestante. Constitui um dos cartões postais da cidade com sua fachada imponente de cúpulas abauladas e pontiagudas. Tiramos algumas fotos com essa imagem de fundo. De tão próxima da margem do Rio Reuss nem parece que estão separados por uma rua. Não conseguia evitar de pensar que estava diante de um cenário de filme ou de programa de TV, que mostra lugares os quais não imaginamos que um dia visitaremos.

Ainda tivemos tempo de conhecer as muralhas de Lucerna, uma grandiosa construção com torres e passagens estreitas, onde é preservada a história militar da cidade. De lá, saímos empolgados para tomar um delicioso chocolate quente suíço. No entanto, a nossa decepção foi imensa ao nos servirem uma enorme xícara de caldo, cujo sabor se assemelhava a um achocolatado comum em nosso país. Fui me informar a respeito e confirmei que minhas expectativas não correspondiam à realidade.

Entretanto, inesperadamente, tivemos uma boa surpresa ao passarmos por uma loja de queijos da fazenda. A balconista nos ofereceu uma degustação e ficamos maravilhados. Foi certamente o queijo mais saboroso que já experimentamos. Compramos um pedaço e o levamos para comer na casa da amiga, onde estávamos hospedados no país vizinho. Lá soubemos que ele era produzido a partir do leite de vacas holandesas que só comiam um tipo de pasto natural, o qual lhe proporciona um sabor inigualável. Soubemos também que o teor de gordura era tão alto que tínhamos de comer pequenas porções para evitar desarranjos intestinais. Para não nos esquecermos desse episódio, compramos de lembrança uma bela tábua de madeira para queijo toda decorada. Eu a coloquei na parede da cozinha, onde gosto de admirá-la todos os dias.

Nossa breve passagem por esta cidade foi inesquecível. Desfrutamos de uma paisagem única, diferente de outras cidades por onde havíamos passado. Ficamos tão encantados que lamentamos não podermos ter ficado mais tempo. O fato é que hoje Lucerna, para nós, tem sabor de queijo, não um qualquer, mas o melhor, aquele cujo sabor jamais esqueceremos.

30/12/2023