sexta-feira, 30 de agosto de 2024

A inesperada Milão

 

                                                  Catedral de Milão e interior da Starbucks


Quando eu pensava nessa cidade, o normal era vir à minha mente a ideia de modelos e passarelas, um lugar símbolo da moda. Mesmo com essa imagem, fui lá para tentar encontrar algo mais. E encontrei.

Era o início da pandemia e sem saber o que viria, passamos, com tranquilidade, por um teste de temperatura corporal na sala de desembarque. Chegando ao hotel, não demoramos muito para nos instalar e sair para nos deslumbrar com a Catedral ou Duomo de Milão, a primeira que conhecemos no estilo gótico com mármore branco-rosa na fachada. A riqueza de detalhes e o seu tamanho são o resultado de cinco séculos de construção. Dotada de inúmeras torres pontiagudas trabalhadas ou ornadas com estátuas, a visão proporcionada parecia única, ante a novidade daquele gênero.

Ao seu lado, nos deparamos com outro prédio de uma beleza clássica, a Galeria Vittorio Emanuele II, conhecida como Salão de Milão. Não conseguimos evitar a comparação com as Galeries Lafayette, loja francesa de departamentos. Na galeria italiana, encontramos as mais famosas lojas da Europa. Para todos os lados que olhávamos, encontrávamos algo para admirar, desde o piso com os símbolos do zodíaco, ao teto com suas abóbadas de vidro. A foto no centro, onde o mosaico expõe o brasão da família do último rei da Itália, a casa Savoia, é obrigatória. Além disso, é um local associado a rituais de sorte.

De lá fomos fazer o nosso primeiro brinde à Itália, um país, cuja história me fascina, e que havia colocado na lista dos sonhos. Então, celebrar isso foi natural. Mas no meio de tantas obras de arte há também o macabro, comum em um solo, o qual viveu duramente a Idade Média. Com esse espírito fomos conhecer a Igreja dos Ossos. O nome já diz tudo. Paredes repletas de crânios são a visão do visitante de uma sala destinada a esse fim nessa igreja. Algo sinistro, mas existente também em alguns outros locais. O que seria um ossário passou a ser um espaço decorado com ossos e alvo de curiosidade.

Para encontrar o que havia de mais moderno na cidade, fomos à Piazza Gae Aulenti, um pódio circular com seis metros, cercado de prédios surpreendentes. Mas Milão também tem o seu parque, o Sempione, com muito verde, um belo lago e seu Arco do Triunfo. Lá tiramos belas fotos e fomos conhecer uma antiga e enorme edificação, o Castelo Sforzesco. Ele foi tanto moradia de antigos governantes da cidade, como hospedou ícones como Carlos V da Espanha e Napoleão. Mas foi também um quartel durante diversas invasões e guerras. Hoje, restaurado e ressignificado, é um lugar cultural, contendo museus, biblioteca, pinacoteca e um espaço de exposições e conferências. Sua entrada e torres, embora do século XV, lembram uma fortaleza medieval.Já dentro é mais moderno. Na chegada, uma enorme fonte, da qual jorra águaem várias direções, dá ideia do que há para conhecer ali. Com tanto para ver, demoramos para explorar tudo.

Com o cair da tarde, partimos para a Zona Navigli, onde ficam os canais, construídos na era medieval, que cortam a cidade. Um agradável local para passear, com galerias de arte, lojas vintage e uma alegre vida noturna com bares, restaurantes e teatros ao longo da beira-canal. Tudo em antigas casas, muitas vezes com mesas sob toldos, as quais se enchem de clientes, e mostram bastante movimento em suas ruas de pedra. Por ali não nos demoramos, porque o frio noturno não estava para locais abertos.

No nosso último dia, nessa agradável cidade, caminhamos pelas antigas ruas do centro histórico, onde conhecemos a maior e mais impressionante Starbucks da Europa. Não estava no nosso roteiro, mas ao cruzarmos a porta desta cafeteria, a nossa surpresa foi do tamanho da loja. Tomados pela empolgação, tivemos que nos render àquele lugar, estilo fábrica, e depois de olhar tudo, nos sentamos para um café. E que café! Mas ainda havia mais para

nos encantar, então fomos até as Colunas de San Lorenzo, com seus grandes arcos, a única construção restante do Império Romano na cidade. Devido ao seu tamanho, o modo como foram erguidas ainda é um mistério. Aproveitamos e entramos na Basílica de San Lorenzo Maggiore, onde vimos a estátua de Constantino, famoso imperador e autor do Édito de Milão.

Saímos de lá pela Porta Ticinese, monumento medieval em frente às colunas, finalizando nossa caminhada pela Porta Ticinese Napoleônica, a qual lembra um arco grego. Ambos os portais foram construídos para servirem de portões da muralha da cidade, erguida antes de Cristo. Nada como sair por portas repletas de história.

30/08/2024