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| Foto com o sósia de Milton em Tiradentes |
Nossa aventura mineira começou na Estrada Real. Nesse caminho, Cordisburgo entrou em nosso roteiro, porque era essencial fazer uma parada para conhecer a casa de Guimarães Rosa e um pouco mais da sua história. Mas ainda tivemos de bônus uma encenação de um trecho do livro Grande Sertão Veredas. Após esse prazeroso pit stop, seguimos para Tiradentes, nosso verdadeiro destino inicial. O estranho foi ante a demora e ânsia para chegar, acharmos que estávamos no caminho errado, visto que não havia GPS e nos localizávamos com um mapa do Guia 4 Rodas. Quando anoiteceu, fomos invadidos pela sensação do "não chega nunca".
Enfim, nos certificamos de que a rota estava correta. Logo depois, nos vimos na entrada da cidade e, finalmente, na Pousada. Inesperadamente, aguardando-nos, havia apenas um adolescente, que foi chamar um adulto para nos receber. Não era um lugar ruim, mas o cheiro de mofo no quarto nos fez sair imediatamente, apesar do cansaço e da hora. Meu filho era alérgico e não poderíamos ficar.
Decidimos ir ao centro procurar uma outra hospedagem. Para a nossa sorte, nos indicaram uma ótima pousada onde fomos bem recebidos. Sua localização central permitia irmos a vários lugares a pé e nos sentíamos em casa. Todos os dias nos ofereciam utensílios, caso quiséssemos tomar um vinho à noite na piscina. Como não havia um restaurante lá, faziam o melhor que podiam.
Andar naquele sítio histórico tão bem preservado era nostálgico e estimulante. Nos sentíamos convidados a conhecer cada rua, igreja e monumento. Fotografamos vários recantos e entendemos o porquê de ser um lugar utilizado como locação para filmes e novelas de época. Faltou apenas o figurino para a sintonia ser total. Foi um lugar que nos cativou por nos remeter a um passado romântico, pelo acolhimento das pessoas e pela beleza.
Dos acontecimentos pitorescos, tivemos a oportunidade de conhecer um sósia de Milton Nascimento, com o qual tiramos foto e depois nos divertimos enviando-a para os amigos como se fosse do artista. Lá foi onde comemos a melhor comida mineira. Andamos de charrete e em uma típica Maria Fumaça, que nos levou a São João Del Rey, uma bela cidade. Nesta passeamos e visitamos o Museu do Trem e o jazigo do ex-presidente Tancredo Neves e de sua respeitada esposa. Parece estranho, mas faz parte do turismo. Na volta, assistimos ao lado de outros turistas bobos, ao ritual do giro da locomotiva que puxa os vagões, mudada de direção manualmente.
Nos arredores da cidade, tivemos boas surpresas, como o Museu do Automóvel e o artesanato do Vilarejo de Bichinho. Para não faltar nada, colocamos uma trilha no nosso roteiro, sendo uma das mais loucas que já fizemos, pois tivemos que andar muito tempo em uma fenda. O mais curioso foi a certeza que todos tinham de que eu iria cair e, no fim, a única pessoa a não escorregar e chegar suja de barro fui eu. Até o guia teve a sua queda triunfal. Ele também nos levou a uma caverna onde fomos apresentados a uma pequena e mortal aranha, um tanto quanto assustadora. Ao retornarmos, o grande desafio foi tirar aquele reboco amarelo dos nossos sapatos.
Quando nos despedimos da cidade, deixamos o nosso coração lá e trouxemos saudades dos lugares, dos bons momentos e das pessoas que nos acolheram, como o dono de uma bodega próxima à nossa pousada. Ao passarmos por lá, praticamente todos os dias, logo tornou-se um conhecido que nos oferecia uma troca de experiências agradáveis entre degustações de cachaças e queijos mineiros, sabores os quais guardaremos para sempre em nosso paladar afetivo.
08/09/2023

Tiradentes é mágica. a descrição da sua visita ficou muito boa!!!!Parabéns!
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