A lembrança da minha avó cantando "...fui às touradas de Madri tri ririririririri..." foi o primeiro pensamento que tive ao pousar na terra que ainda faz jus à velha canção. Conhecer o país das castanholas era um velho desejo da menina que, um dia, dançou de espanhola aos 8 anos de idade em um evento escolar.
A primeira visão real da cidade foi a de quem chega no inverno e se depara com as costumeiras obras dessa época, na Europa. Descemos na estação mais famosa da cidade, a do Sol e, ao redor, sem calçamento ou calçada, mal dava para andar com as malas. Mas logo vencemos aquele trecho e achamos o caminho do hotel, onde deixamos nossos pertences. Depois, fomos fazer o reconhecimento da área e comer.
Reabastecidos e dispostos, chegamos ao frequentado Parque del Retiro, onde a população relaxa, apreciando agradáveis paisagens, ou se diverte em atividades ao ar livre. Nesse lugar, também há o "Palácio de Cristal", todo em vidro. Fiquei admirada com as árvores em um curioso formato de cachos de botões, ora achatados, ora arredondados, uma poda um tanto exótica. Na saída, nos deparamos com uma tradicional loja de torrones. Lá tivemos nossa primeira experiência com esse doce típico. À noite foi hora de provar o delicioso croquete de carne da Taverna La Taurina, que nos conquistou por sua energia e ambiente agradável; um ponto de encontro de personalidades marcantes como Guevara e Orson Welles.
No dia seguinte, fomos desbravar o centro e passamos pelo antiquíssimo Cine Callao, seguindo pela famosa Gran Via, onde tiramos fotos do que nos chamava atenção como a Plaza de Cibeles, o Palácio de mesmo nome e a Casa das Américas, com estranhas réplicas de grandes baratas em sua fachada. A ideia era chegar na histórica Porta de Alcalar, o Arco do Triunfo dos espanhóis. Entretanto, só vimos a sua foto estampada no tapume gigante, encobrindo a respectiva obra de restauração. O mesmo aconteceu com o Edifício Metropolis, um antigo prédio que lembra o triangular Flatiron de Nova York. Como dito antes, inverno é tempo de obras. Na falta, fotografamos o elegante Hotel Four Seasons, de mesmo estilo. Mas à noite, quando retornamos, a boa surpresa foi ver os edifícios ao redor da Plaza del Callao superiluminados à moda da Times Square.
No dia seguinte, retomando nosso roteiro, fomos conhecer a Plaza de España, com estátuas representando Dom Quixote e seu escudeiro, em homenagem a Cervantes, seu criador. De lá fomos ao Templo Debod, uma construção egípcia doada à cidade de Madri. Ela fica em uma elevação, a qual foi palco de sangrentas batalhas na época de Napoleão e na Guerra Civil espanhola, porém o lugar foi ressignificado com a transposição do templo, além de proporcionar uma extensa visão da cidade.
Descendo pelos Jardins de Sabatini, idealizados para embelezar o lado norte da Palácio Real, chegamos à Plaza de Oriente, de onde se veem também o Teatro Real e uma estátua do rei Felipe IV em seu cavalo. Uma área histórica cercada de construções importantes. Então um passo para o lado e estávamos na Plaza de la Armeria, que separa a Catedral de Almudena (arduamente construída por um século) do majestoso Palácio Real onde vive o Rei da Espanha. Não pudemos entrar, então ficamos a espreitar seu interior pelos portões.
Como ainda tínhamos fôlego, demos uma esticada até a Plaza Mayor, um espaço retangular, grande como o nome sugere, cercado por antigos edifícios uniformemente construídos e datados dos anos 1500, com nove pórticos, os quais servem de entrada da praça. Nessa praça há, também, uma estátua de um rei da Espanha, Filipe III, responsável pela conclusão da obra precursora desse atrativo ponto turístico.
Após um delicioso almoço típico, fomos conhecer a florida Plaza de la Villa e depois o Mercado San Miguel. Uma caminhada que no total queimou o nosso almoço, mas no fim fomos recompensados por deliciosos petiscos marinhos nesse que é um disputado espaço gastronômico. Para encerrar a noite, tomamos um autêntico Pisco peruano preparado por imigrantes do país de origem da bebida. Todos esses lugares são cuidados e oferecidos à população para o seu lazer.
É preciso dizer que a gastronomia do país vale um comentário à parte. As comidinhas de bar, conhecidas como tapas: croquetas, presuntos, queijos, tortillas, pequenos sanduíches, olivas, lulas, pães da Catalunha, ovos rotos, salada russa e outras mais eram os nossos pratos preferidos para a noite e até em alguns almoços, além da popular paella. O vinho é tão comum que tomar uma taça ou jarra nas refeições maiores era normal. Foi lá também que conheci o vermute, para nós o Martini Rosso, e passei a gostar. Uma bebida típica do país assim como o vinho, ambos produzidos em vários restaurantes, sendo esses os melhores.
No nosso último dia em Madri, antes de seguir viagem, fomos conhecer o Mercado San Antônio, onde almoçamos, e o seu entorno. Para fechar essa etapa, em uma noite fria, encaramos uma fila para visitar o Museu Reina Sofia, o qual guarda Guernica, a obra mais significativa de Picasso. Não podíamos partir sem ver a pintura cujo tema inclui uma forte história por trás. É claro que tiramos um tempo para dar a última passada na loja de departamentos mais conhecida do país, El Corte Inglés. Ela ficava no nosso caminho para o hotel, então vez por outra cortejávamos uma ou outra mercadoria. Naquele dia compramos o que usaríamos em breve, visto que iríamos encontrar várias dessas magazines no último trecho da nossa jornada espanhola, a qual estava só começando.
A primeira visão real da cidade foi a de quem chega no inverno e se depara com as costumeiras obras dessa época, na Europa. Descemos na estação mais famosa da cidade, a do Sol e, ao redor, sem calçamento ou calçada, mal dava para andar com as malas. Mas logo vencemos aquele trecho e achamos o caminho do hotel, onde deixamos nossos pertences. Depois, fomos fazer o reconhecimento da área e comer.
Reabastecidos e dispostos, chegamos ao frequentado Parque del Retiro, onde a população relaxa, apreciando agradáveis paisagens, ou se diverte em atividades ao ar livre. Nesse lugar, também há o "Palácio de Cristal", todo em vidro. Fiquei admirada com as árvores em um curioso formato de cachos de botões, ora achatados, ora arredondados, uma poda um tanto exótica. Na saída, nos deparamos com uma tradicional loja de torrones. Lá tivemos nossa primeira experiência com esse doce típico. À noite foi hora de provar o delicioso croquete de carne da Taverna La Taurina, que nos conquistou por sua energia e ambiente agradável; um ponto de encontro de personalidades marcantes como Guevara e Orson Welles.
No dia seguinte, fomos desbravar o centro e passamos pelo antiquíssimo Cine Callao, seguindo pela famosa Gran Via, onde tiramos fotos do que nos chamava atenção como a Plaza de Cibeles, o Palácio de mesmo nome e a Casa das Américas, com estranhas réplicas de grandes baratas em sua fachada. A ideia era chegar na histórica Porta de Alcalar, o Arco do Triunfo dos espanhóis. Entretanto, só vimos a sua foto estampada no tapume gigante, encobrindo a respectiva obra de restauração. O mesmo aconteceu com o Edifício Metropolis, um antigo prédio que lembra o triangular Flatiron de Nova York. Como dito antes, inverno é tempo de obras. Na falta, fotografamos o elegante Hotel Four Seasons, de mesmo estilo. Mas à noite, quando retornamos, a boa surpresa foi ver os edifícios ao redor da Plaza del Callao superiluminados à moda da Times Square.
No dia seguinte, retomando nosso roteiro, fomos conhecer a Plaza de España, com estátuas representando Dom Quixote e seu escudeiro, em homenagem a Cervantes, seu criador. De lá fomos ao Templo Debod, uma construção egípcia doada à cidade de Madri. Ela fica em uma elevação, a qual foi palco de sangrentas batalhas na época de Napoleão e na Guerra Civil espanhola, porém o lugar foi ressignificado com a transposição do templo, além de proporcionar uma extensa visão da cidade.
Descendo pelos Jardins de Sabatini, idealizados para embelezar o lado norte da Palácio Real, chegamos à Plaza de Oriente, de onde se veem também o Teatro Real e uma estátua do rei Felipe IV em seu cavalo. Uma área histórica cercada de construções importantes. Então um passo para o lado e estávamos na Plaza de la Armeria, que separa a Catedral de Almudena (arduamente construída por um século) do majestoso Palácio Real onde vive o Rei da Espanha. Não pudemos entrar, então ficamos a espreitar seu interior pelos portões.
Como ainda tínhamos fôlego, demos uma esticada até a Plaza Mayor, um espaço retangular, grande como o nome sugere, cercado por antigos edifícios uniformemente construídos e datados dos anos 1500, com nove pórticos, os quais servem de entrada da praça. Nessa praça há, também, uma estátua de um rei da Espanha, Filipe III, responsável pela conclusão da obra precursora desse atrativo ponto turístico.
Após um delicioso almoço típico, fomos conhecer a florida Plaza de la Villa e depois o Mercado San Miguel. Uma caminhada que no total queimou o nosso almoço, mas no fim fomos recompensados por deliciosos petiscos marinhos nesse que é um disputado espaço gastronômico. Para encerrar a noite, tomamos um autêntico Pisco peruano preparado por imigrantes do país de origem da bebida. Todos esses lugares são cuidados e oferecidos à população para o seu lazer.
É preciso dizer que a gastronomia do país vale um comentário à parte. As comidinhas de bar, conhecidas como tapas: croquetas, presuntos, queijos, tortillas, pequenos sanduíches, olivas, lulas, pães da Catalunha, ovos rotos, salada russa e outras mais eram os nossos pratos preferidos para a noite e até em alguns almoços, além da popular paella. O vinho é tão comum que tomar uma taça ou jarra nas refeições maiores era normal. Foi lá também que conheci o vermute, para nós o Martini Rosso, e passei a gostar. Uma bebida típica do país assim como o vinho, ambos produzidos em vários restaurantes, sendo esses os melhores.
No nosso último dia em Madri, antes de seguir viagem, fomos conhecer o Mercado San Antônio, onde almoçamos, e o seu entorno. Para fechar essa etapa, em uma noite fria, encaramos uma fila para visitar o Museu Reina Sofia, o qual guarda Guernica, a obra mais significativa de Picasso. Não podíamos partir sem ver a pintura cujo tema inclui uma forte história por trás. É claro que tiramos um tempo para dar a última passada na loja de departamentos mais conhecida do país, El Corte Inglés. Ela ficava no nosso caminho para o hotel, então vez por outra cortejávamos uma ou outra mercadoria. Naquele dia compramos o que usaríamos em breve, visto que iríamos encontrar várias dessas magazines no último trecho da nossa jornada espanhola, a qual estava só começando.
23/04/2024
Madri é encantadora demais! Adorei ler seu relato, Ori, e ir lembrando dos lugares que também visitei!
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