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sexta-feira, 22 de setembro de 2023

De volta à terra dos inconfidentes

                                 Centro de Ouro Preto                                             Uma das minhas ruas favoritas
 

Após uma estada rica de bons momentos em Tiradentes e de volta à Estrada Real, Ouro Preto seria o nosso próximo destino. Passamos por Congonhas, onde visitamos as famosas estátuas dos Profetas, esculpidas por Aleijadinho. Fez toda a diferença pagar um guia para contar as histórias em torno daquelas obras e das outras em frente à Igreja, onde elas estão situadas.

Chegar ao berço dos inconfidentes foi um retorno a uma cidade de atmosfera única e sedutora. Ela nos encantou a ponto de voltarmos mais duas vezes, depois que a conhecemos, apesar dos milhares de quilômetros de distância.

Esse reencontro me deixou empolgada. Quando chegamos, estava tão admirada, que olhava para todos os lados, querendo lembrar de cada pedacinho por onde havíamos andado treze anos antes. Desejava que o meu filho também se encantasse, então fomos a todas as partes às quais havíamos ido anteriormente e fomos além. Fizemos um passeio a uma cachoeira de águas geladíssimas em Lavras Novas, um caminho com trechos assustadoramente estreitos, rezávamos para não surgir um carro na direção contrária.

Até mesmo um pão de queijo recheado o qual havíamos comido na nossa primeira passagem por lá, fizemos questão de saborear. Foi uma lembrança deliciosa que pudemos reviver, assim como a revisita à charmosa Mariana, via um bom passeio de Maria Fumaça. A feirinha de artesanato em pedra sabão ainda acontecia no mesmo lugar e passamos para nos readmirar com uma arte, símbolo daquela região. Como a gastronomia mineira é especial, em um típico e aconchegante barzinho insistiram para que conhecêssemos um pastel de massa de milho. Foi uma boa surpresa ante a nossa desconfiança e resistência ao desconhecido.

Para não fugir ao estilo da cidade, a pousada em que nos hospedamos ficava em uma de suas ladeiras. Um lugar agradável e caseiro, a ponto de um dia irmos tomar café, e o cozinheiro ter dado uma saída e nos deixado sós para pegar pratos e comidas. Foi inusitado. Ao lado, havia uma república, onde os moradores estavam em férias e só víamos dezenas de engradados de cerveja no quintal. Impressionados indagamos a respeito e soubemos que eram para consumo dos universitários que viviam lá. Eles haviam pintado uma frase na parede da casa, que traduzia todo o espírito do lugar: "É aqui nas penedias aterradoras, onde uivam os lobos famintos na famigerada Rua das Mercês que moram os intrépidos rapazes do reino de Baco". Simplesmente inesquecível.

Creio que nunca subi e desci tantas ladeiras como naqueles dias. Era verão e não havia garrafa de água que matasse a nossa sede. Nos esforçamos para ver tudo o que havia para nos causar admiração, fosse pela beleza ou pela história guardada em cada pedra usada em suas ruas e casas. Quando nos despedimos, a sensação era de ter sido tão bom quanto havíamos idealizado.

Como nossas viagens têm seus acontecimentos burlescos, ao retornarmos a BH e tentarmos nos dirigir à locadora para devolver o carro, ficamos rodando em uma rotatória sem achar a via de acesso ao local. Só conseguíamos rir da situação. E para fechar bem ao nosso estilo, quando estávamos tranquilos, aguardando a hora do embarque a fim de retornar para casa, o nosso voo chegou com atraso e fomos chamados para embarque imediato. A aeronave fez uma escala e praticamente só nós iríamos embarcar, então nos mandaram correr. Ofegantes entramos no avião, cuja porta foi logo fechada atrás de nós para, em seguida, partirmos. Essa foi a nossa primeira cena desse tipo. Não sabíamos, mas anos depois a coisa se repetiria.

22/09/2023