domingo, 19 de novembro de 2023

Uma Serra inesquecível

Cachoeira Grande - Serra do Cipó

No roteiro ecológico, após a partida de Diamantina, estavam Serro e Serra do Cipó. A primeira, embora pequeno seu sítio histórico, assim como o próprio município, guarda uma beleza que valeu uma passagem só para conhecer o seu cartão postal, a escadaria da Igreja de Santa Rita. Essa pequena construção detém uma característica comum na região que é a de se assemelhar a uma graciosa miniatura.

Reservamos um dia para conhecer a cidade, tempo suficiente para a pequenina Serro. No dia seguinte, fomos para Serra do Cipó. Ao chegarmos à pousada, imediatamente, percebemos que seria uma experiência diferente do que costumávamos ter. O local se assemelhava a um sítio, com um quintal cheio de árvores. Fomos muito bem recebidos pelo proprietário, um típico mineiro cheio de histórias para contar, com quem gostávamos de conversar.

Logo no primeiro dia, disse-nos que, se quiséssemos tomar um vinho à noite, ele nos prepararia uma mesa na sala de refeições. O espaço possuía um tom de aconchego com um mobiliário rural e toalhas xadrez, fazendo-nos sentir acolhidos. Era só avisar e ele já deixava além das taças, pratos e talheres para os tira-gostos. Comprávamos um pedaço de queijo e a festa estava completa, sempre acompanhada de uma conversa animada com o nosso cicerone.

Perto dali havia uma bela cachoeira onde poderíamos ir a pé; ficava em um parque organizado para ser um ponto de visitação. A queda d'água não era volumosa, mas tinha uma altura impressionante, desaguando em um lago de águas tranquilas. Difícil enquadrá-la em uma foto, mas conseguimos! Além dessa, havia outras, as quais fomos conhecer. Dessa vez, de carro. O curioso foi que, após passarmos em uma bifurcação que previa a chegada em 3 km, tivemos a falsa sensação de que andamos o dobro e, na volta, a metade. Ficamos tão confusos, que ríamos de nós mesmos. A parte boa era sempre sermos presenteados pela natureza com uma visão compensadora.

Para conhecer outras paisagens, nos dispusemos a fazer uma trilha de bicicleta, que findava com uma caminhada até uma cachoeira, com acesso limitado a pedestres. Pedalamos por 8 km e andamos cerca de 10 minutos até o nosso objetivo. A vista da enorme e incrível queda d'água nos animou. Após nos refrescarmos um pouco na água, fizemos o caminho inverso. Dessa vez, confiante após ter vencido a distância da ida, me senti um ás das duas rodas e voltamos voando. Quanto mais o vento lambia o meu rosto, mais queria desfrutar daquela sensação. Décadas sem praticar o equilíbrio naquele veículo, transformaram o passeio em um desafio. Nesse clima, a chegada teve gosto de vitória e o sabor dessa aventura ficou gravada para sempre no baú das boas recordações.

Aquela cidadezinha, no entanto, tinha mais a oferecer. À noite, os bares faziam fogueiras a fim de aquecer os visitantes, uma novidade para nós, acostumados a ver aquecedores elétricos ou a lenha nesses locais. Tudo parecia mais rústico e familiar. Aproveitamos para conhecer alguns deles e comprar lembrancinhas nas lojas de lindos souvenirs. Na ocasião, fiquei encantada com os produtos locais e de outros lugares que eles dispunham. Entretanto, era preciso ter discernimento para não enchermos nossas bagagens, pois ainda havia muita estrada pela frente e pouco espaço disponível em nossas malas. Foram nossos últimos momentos na acolhedora Serra do Cipó, de onde iríamos para Brumadinho (isso aconteceu um ano antes do acidente da Vale do Rio Doce). 

19/11/2023

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