Dizem que na Disney quase todo mundo vira criança. E isso é verdade. Quando estive lá com a família e um casal de amigos, revivemos esta fase e foi como eles dizem mesmo: um mundo de fantasia. A alegria que sentimos ao ver aqueles brinquedos gigantes que costumamos ver por fotos, ou a imagem dos personagens, cujos desenhos animados assistíamos na TV, mexem com a nossa criança interior.
Entretanto, ao mesmo tempo que sentimos a alegria e a empolgação daqueles tempos infantis, carregamos os medos dos adultos. A ausência desses intrusos, quando somos pequenos ou jovens, faz falta nesses momentos. Queria ter a coragem do meu filho que andou nas montanhas-russas mais radicais, porém desprovida desse desprendimento, tive de procurar aquelas que, aparentemente, não assustam adultos medrosos.
Foi pensando nisso que uma amiga, meu marido e eu escolhemos andar em uma de madeira com ares de inocência, segundo nossos parâmetros. Ledo engano! O barulho que ela fazia quando corria sobre os trilhos, aparentando estar se desmontando, foi apavorante. As descidas que pareciam pequenas, eram altas o suficiente para o nosso coração quase parar. Quando terminou, foi como se tivéssemos saído da casa do terror.
Enquanto isso, o marido da amiga, que ainda guardava a criança interior, se divertia com o meu filho nos brinquedos em que não nos permitíamos. Houve um momento em que, cheios de empolgação, como fãs do personagem Harry Potter, fomos conhecer o Castelo de Hogwarts e os outros locais icônicos dos filmes da série. Quando chegamos lá, ficamos encantados com a fidelidade dos cenários e os hologramas dos personagens. Após caminharmos por parte do que seria a escola de magia, entramos em uma espécie de passeio semelhante a uma montanha-russa. Sentamos em uma cadeira, na qual os cintos foram colocados, e partimos como se estivéssemos montados em uma vassoura voadora.
Os movimentos eram bruscos e nos deparávamos com figuras assustadoras que emitiam sons, bafos e outros efeitos, como se fosse um filme 4D. Logo comecei a ficar enjoada e minha barriga dava voltas. Foi preciso um esforço sobre-humano para não botar para fora o que estava no estômago. Quando terminou, mal conseguia andar. Percebi que só tinha entrado nessa aventura, porque não sabia como seria. Depois dessa, ficamos ainda mais cuidadosos nas escolhas dos brinquedos. Vergonhosamente, tínhamos de andar naqueles em que iam as menores faixas etárias, como os carrinhos de corrida e o passeio de balão virtual pelas maravilhas do mundo, o qual achamos fantástico e inofensivo.
Seguimos, assim, em nossa diversão pelos parques até que encontrei uma montanha-russa que considerei adequada para adultos como nós, com apenas um loop para proporcionar uma pontinha de emoção. Foi uma escolha certeira. Nos divertimos a ponto de eu querer ir novamente. Mesmo assim, foi um pouco demais para o meu marido, que saiu de lá a passos de ganso. Repetição abortada, só nos restava encontrar os aventureiros dos brinquedos radicais, porque iríamos todos para o passeio no mundo dos Simpsons. No entanto, descobrimos na entrada, um aviso de alerta para pessoas com labirintite e hipertensão. Dessa vez, fui eu que desisti e esperei todos os outros. Não me arriscaria. Dos que foram, os menos corajosos saíram meio tontos e ressabiados. Ainda bem que tendo muito para ver, compensava aquilo em que não nos aventurávamos.
Para fechar com chave de ouro, no último dia, fomos ao show no famoso Castelo da Cinderela. Lá, as pessoas vestidas de acordo com os personagens mais famosos da Disney dão um show que encanta e emociona a todos. Nessa hora, não há como não voltar à infância, com a abertura dos filmes onde apareciam o castelo e os fogos. Era tão semelhante à imagem que conhecíamos da telinha, que parecíamos bobos dentro da nossa viagem ao mundo da fantasia. Saímos de lá extasiados e com a sensação de termos realizado um velho sonho de criança. Não é à toa que é um lugar desejado pelos pequenos e por adultos do mundo inteiro, independentemente de idade e crença, porque é isso que vemos quando estamos lá.
27/05/2023
