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sexta-feira, 18 de agosto de 2023

A eterna cidade olímpica

 

Jardins da Prefeitura - 40 anos das Olimpíadas

Não há como falar de Montreal e não lembrar da sua inesquecível olimpíada de 1976. Por motivos diversos, seu nome ficou tanto gravado, naturalmente, na história desse evento, como na lembrança de quem viu surgir a inigualável Nadia Comaneci. Ela foi a primeira ginasta a receber uma nota 10 nas barras assimétricas e mais seis notas máximas. Tudo isso com apenas quatorze anos de idade. Esse também foi um evento aberto pela rainha Elisabeth II. Dentre as novidades que marcaram a competição, ocorreu a introdução das modalidades femininas no basquete, handebol e remo.

Estando lá, é claro que fomos visitar o estádio olímpico com a placa onde ficaram registrados os feitos dessa épica ginasta, cuja trajetória é digna de um filme de Hollywood. Andamos por parques, museus e um conhecido mercado, como é de praxe. No parque Du Mont Royal, ficamos a admirar a vista da cidade. Como sempre vamos conhecer a Notre Dame (Nossa Senhora) do lugar onde estamos, fomos conferir mais uma suntuosa Catedral dessa importante figura feminina da Igreja Católica.

Naquele ano, seria o 40º aniversário das Olimpíadas na cidade. Nos jardins da Prefeitura, conferimos o símbolo desse evento com os 5 anéis dos continentes, caprichosamente desenhados com plantas podadas. De todas as belas construções que visitamos, entretanto, uma nos deixou boquiabertos: o Oratório St Joseph. Ele foi construído em uma parte alta e para chegar ao andar principal é necessário subir duas escadarias. Chegando lá, se vê na base da construção um lindo jardim. Tudo muito grandioso, feito para impressionar.

Assim como em Quebec, vimos o Rio São Lourenço banhando a cidade, e o Parque Jean Drapeau é um dos pontos onde se pode desfrutar a visão desse extenso rio. Havia tanto para se explorar que a nossa ânsia por cumprir uma longa lista de atrações que a cidade oferece nos deixou fadigados.

No último dia, abreviamos nosso roteiro só passeando pelas agitadas ruas de comércio próximas ao hotel. Como um registro final perto dali, na frente do Museu de Belas Artes, nos fotografamos com as curiosas esculturas em seus jardins. Este fez valer a despedida de uma cidade charmosa e conhecida pela qualidade de vida que proporciona aos seus habitantes. Foi um lugar que nos fez refletir sobre o que fazer quando temos tanto para conhecer e já estamos cansados. É preciso aceitar que nem sempre podemos ou conseguimos visitar tudo o que desejamos, quando estamos em um certo estágio de uma viagem. E a essa verdade, saciados nos rendemos.


18/08/2023

 

sexta-feira, 23 de junho de 2023

Entre bondes e ladeiras

 

Golden Gate                                          Bonde dando meia volta

Quando São Francisco foi introduzida em nosso roteiro, após partirmos de Los Angeles, dois lugares no meio desse caminho saltaram aos olhos e se tornaram obrigatórios: Solvang, uma cidade de origem dinamarquesa, e a Big Sur, uma estrada de beleza exuberante, que cruza uma região entre a floresta e o mar, excelente opção para chegar ao nosso destino. E assim o fizemos. Passamos um dia, conhecendo a cidadezinha de arquitetura europeia, com lojas cheias de enfeites natalinos, independente da época do ano. No dia seguinte cedo, partimos para aproveitar os mirantes e outros pontos de observação de uma das estradas mais impressionantes do planeta. Um trajeto para não esquecer.

Ao sair de uma estrada de sonhos e adentrar de carro em São Francisco, nosso destino final, o impacto foi imediato. Trânsito agitado, motoristas que buzinavam ou mesmo reclamavam ao volante. Diferente de outras cidades americanas por onde havíamos passado. Fomos aconselhados a não dirigir por lá. Hora de entregarmos o veículo, o qual havíamos alugado. E só foi começar a andar a pé para eu levar uma buzinada ao me preparar para atravessa uma rua! Não sabia qual o comportamento esperado para o pedestre ali, mas logo aprendi depois desse episódio.

Nos surpreendemos com aquele lugar, pois logo na chegada, a temperatura era mais baixa que o esperado, considerando estarmos no verão californiano. Além disso, existia uma espécie de névoa em forma de anel, que ficava contornando a cidade. De sorte que, por precaução, havia levado alguns casacos. O vento, vindo do mar, que esfriava a região, era um agravante que obrigava os bares em Fisherman’s Wharf, um bairro de São Franscisco, onde funcionava o antigo porto, a colocar aquecedores externos para que os clientes suportassem ficar nos terraços. Um local agradável que passou a fazer parte dos nossos fins de noite, durante nossa estadia.

Como estávamos ali para viver as experiências mais típicas, atravessamos a extensa e icônica ponte Golden Gate sob um vento que nos fazia acelerar os passos, ansiando por chegar ao outro lado. Mesmo assim, ainda nos divertimos com a imagem da fileira de amishes, que passaram por nós. Jamais esperávamos ver pessoas dessa reclusa comunidade nas ruas de um lugar nada ortodoxo. Outro passeio clássico que fizemos foi a travessia de ferry até a Ilha de Alcatraz, para conhecer a antiga prisão de mesmo nome e suas histórias. Dentre elas, a da fuga impossível de alguns detentos que, segundo as mais recentes investigações, há indícios de que vieram para o Brasil (zero surpresa). E como não poderia deixar de ser, subimos e descemos ladeiras nos antigos e famosos bondes. Para não perder a aventura, meu filho fez questão de se segurar nas barras da parte externa do vagão, como vemos nos filmes gravados naquele cenário. Quando ele chegou ao seu ponto de retorno, nós e mais uma dezena de turistas com cara de bobos ficamos assistindo ao “balé da meia volta volver” do vagão.

Uma característica do lugar eram as enormes lojas de CDs e Lps para todos os gostos. Ainda estávamos na fase de caça aos CDs raros, então foi divertido fazer um tour por algumas dessas lojas, dentre elas a antológica Amoeba, e sair felizes com o que garimpamos.

O espírito livre representado pelos ultrapassados hippies remanescentes dos anos 70, ainda vistos por lá, e pelas bandeiras das cores do arco-íris também são a marca de São Francisco, sendo estas últimas comumente encontradas no bairro de Castro. Estava em nosso roteiro conferir suas ruas alegres e cheias de cor. Cores também foi o que encontramos na Lombard Street, uma rua florida construída em zigue-zague, conhecida pelo seu formato curioso e pela beleza de seus enormes jardins. Coloridos também eram os MMs que comprei para o meu filho em uma linda caixa de acrílico, a qual foi derrubada por ele no hall do hotel em que estávamos hospedados, deixando centenas de bolinhas de todas as cores em cada recantodaquele espaço. Desconfio que até hoje os chocolates são encontrados nas brechas da enorme sala cheia de móveis antigos com lugares para escondê-las.

A hora de conhecer uma das pérolas da culinária local foi também o momento de darmos boas risadas. Sentados no terraço de um prédio, no tradicional restaurante Cheescake Facyory, comemos um delicioso almoço e, na sequência, pedimos um cheesecake, a sobremesa mais conhecida da casa. Prevenidos, pedimos uma fatia e três garfos para dividirmos a generosa porção servida. O mesmo não aconteceu na mesa vizinha, onde havia uma família de uma mãe e três filhas, e cada uma pediu uma fatia. Quando o pedido chegou e elas viram o tamanho da sobremesa, tiveram uma crise de riso, e olharam para nós com cara de "como-conseguiremos-comer-tudo-isso?". Ao entendermos o que estava acontecendo, também, não pudemos conter as risadas. É por essas e outras que sempre vamos devagar, quando não sabemos o tamanho do prato.

A volta daquela cidade tão distante da nossa casa custaria dois dias de viagem. Nem a tecnologia facilitou o nosso retorno. Precisei me agarrar às boas lembranças do que conhecemos para conseguir passar duas noites entre voos e aeroportos. Fomos felizes naquela viagem? Sim. Mas não pretendo repetir outro traslado nesses moldes. Não tenho mais esse fôlego. Ufa!

23/06/2023

quinta-feira, 8 de junho de 2023

Viva Las Vegas

 

A expectativa para chegar à cidade dos Cassinos era grande. O glamour dos charmosos hotéis e letreiros luminosos morava em nosso imaginário. Particularmente, me apegava às lembranças de um antigo seriado com o nome "Vegas" o qual se passava naquela cidade e deixara saudades. Assim que chegamos, alugamos um supercarro com tantos botões que brincávamos dizendo que mais se parecia um avião. Só havia um problema, pois não sabíamos qual deles travava o porta-malas, então, nos primeiros dias, não deixávamos nada nesse compartimento. Até que, após inúmeras tentativas, finalmente, ao acaso, encontramos a resposta.

Nosso hotel era gigantesco como a maioria das características naquela cidade. Tivemos de encontrar uma forma de memorizar onde ficava o elevador que dava acesso ao nosso quarto, pois havia tantos corredores que era fácil nos confundirmos, depois de passar por um enorme cassino onde tudo parecia igual. Algumas curiosidades aconteciam ali: víamos sempre um grupo de jovens japoneses em um quiosque em frente aos elevadores, onde compravam cápsulas contra ressaca, que nem sabíamos que existiam. Senhoras hóspedes de bastante idade usavam shorts curtos e algumas delas gastavam muito dinheiro, até tarde da noite, em máquinas caça-níquel e em mesas de jogos de baralho. O carpete naquele espaço tinha um forte perfume que me fazia espirrar sempre que saía ou chegava no hotel. Outro fator que provocava meu nariz era a diferença de temperatura, quando saíamos à rua e o clima desértico nos alvejava, ou o contrário, quando entrávamos nos lugares climatizados. Devo ter espirrado por um ano inteiro.

Nas ruas era normal ver pessoas com copos gigantescos com bebidas alcoólicas no formato de utensílios de laboratório. Para entrar no clima, compramos nossos copos coloridos, porém em formato normal, onde tomávamos Marguerita. Para aditivá-las meu marido pedia um tubo de ensaio de vodka, que era mergulhado emborcado dentro do copo, uma novidade para nós. Mas, apesar dessa liberdade, que não existe em outros lugares naquele país, não era permitido comprar as bebidas com menores de idade por perto. Então, meu filho dava dois passos para trás e estava resolvido, assim como ele também não podia parar no Cassino quando por lá passávamos. Sempre havia um fiscal para impedir qualquer parada nem se fosse apenas para uma foto.

Normalmente, nossa diversão era andar de hotel em hotel, conhecendo suas curiosas decorações temáticas. Alguns possuíam uma verdadeira cidade dentro e boates atrativas nas quais não podíamos entrar com o nosso filho menor de idade. A cada 30 minutos, havia o show das águas nos jardins de um dos famosos hotéis. Nós as vimos várias vezes, porque sempre que passávamos e elas estavam acontecendo, não conseguíamos parar de olhá-las. No dia em que fomos a um deles comprar ingressos para um show do Cirque de Soleil, tivemos que pegar um monotrilho que dava acesso ao local. Foi algo curioso, porque andávamos sempre a pé pela rua principal onde ficam todos os hotéis, os quais são a maior atração da cidade.

No passado, entretanto, havia uma outra rua principal, hoje conhecida como “A rua coberta” em cujo teto um show de imagens é projetado. Fomos conhecer essa rua, onde vimos as famosas Drag Queens da cidade, com suas fantasias decotadas e cheias de plumas. Só não chamavam mais atenção do que as moças que ofereciam seus serviços apenas com a parte de baixo do biquíni, na frente de um dos hotéis. Após uns dias, a gente se acostuma com isso e, também, com os cartões de propaganda desses serviços, cartões esses livremente entregues nas ruas, o que justifica a fama de “Cidade do pecado”.

Excepcionalmente, saíamos de carro e o dia do passeio ao Grand Canyon foi uma dessas ocasiões. Fomos conhecer a maior formação natural do mundo. Jamais vi algo parecido e nem devo ver.Quando havia um helicóptero sobrevoando a abertura do cânion era como se fosse uma mosca. Suas dimensões gigantescas são assustadoras. As bordas são perigosas e para olhar o fundo é preciso deitar no chão, pois os que se arriscam a ficar em pé podem terminar caindo e morrendo. O pior é que isso ocorre algumas vezes a cada ano. Existe uma plataforma de vidro para observação em um ponto do Canyon. Pagamos para conhecer, mas depois descobrimos que existia outro ponto com uma vista muito mais bonita e impressionante. Concluímos que não há como descrever a beleza e a grandiosidade desse local.

De lá fomos conhecer a gigantesca barragem da represa Hoover Dam, um lugar com uma temperatura tão elevada que, imediatamente, passei mal. Tiramos algumas fotos, rapidamente, e fomos embora. No trajeto, vimos o famoso deserto de Mojave. Realmente parece o solo lunar. Um lugar estranho, insalubre que provocou dezenas de mortes, quando da construção da represa. É o outro lado de história, que pesquisei posteriormente, confirmando minhas suspeitas.

Para não fugirmos à tradição turística da cidade, no último dia, tiramos fotos na famosa placa com o nome “Las Vegas”. Missão cumprida e sem mais pecados, fomos embora depois de uma semana na “Disney dos adultos”. E viva Las Vegas! (Como diz a famosa canção gravada pelo rei Elvis Presley)

08/06/2023

 

sábado, 27 de maio de 2023

Quando gente grande vai à Disney


 

Dizem que na Disney quase todo mundo vira criança. E isso é verdade. Quando estive lá com a família e um casal de amigos, revivemos esta fase e foi como eles dizem mesmo: um mundo de fantasia. A alegria que sentimos ao ver aqueles brinquedos gigantes que costumamos ver por fotos, ou a imagem dos personagens, cujos desenhos animados assistíamos na TV, mexem com a nossa criança interior.

Entretanto, ao mesmo tempo que sentimos a alegria e a empolgação daqueles tempos infantis, carregamos os medos dos adultos. A ausência desses intrusos, quando somos pequenos ou jovens, faz falta nesses momentos. Queria ter a coragem do meu filho que andou nas montanhas-russas mais radicais, porém desprovida desse desprendimento, tive de procurar aquelas que, aparentemente, não assustam adultos medrosos.

Foi pensando nisso que uma amiga, meu marido e eu escolhemos andar em uma de madeira com ares de inocência, segundo nossos parâmetros. Ledo engano! O barulho que ela fazia quando corria sobre os trilhos, aparentando estar se desmontando, foi apavorante. As descidas que pareciam pequenas, eram altas o suficiente para o nosso coração quase parar. Quando terminou, foi como se tivéssemos saído da casa do terror.

Enquanto isso, o marido da amiga, que ainda guardava a criança interior, se divertia com o meu filho nos brinquedos em que não nos permitíamos. Houve um momento em que, cheios de empolgação, como fãs do personagem Harry Potter, fomos conhecer o Castelo de Hogwarts e os outros locais icônicos dos filmes da série. Quando chegamos lá, ficamos encantados com a fidelidade dos cenários e os hologramas dos personagens. Após caminharmos por parte do que seria a escola de magia, entramos em uma espécie de passeio semelhante a uma montanha-russa. Sentamos em uma cadeira, na qual os cintos foram colocados, e partimos como se estivéssemos montados em uma vassoura voadora.

Os movimentos eram bruscos e nos deparávamos com figuras assustadoras que emitiam sons, bafos e outros efeitos, como se fosse um filme 4D. Logo comecei a ficar enjoada e minha barriga dava voltas. Foi preciso um esforço sobre-humano para não botar para fora o que estava no estômago. Quando terminou, mal conseguia andar. Percebi que só tinha entrado nessa aventura, porque não sabia como seria. Depois dessa, ficamos ainda mais cuidadosos nas escolhas dos brinquedos. Vergonhosamente, tínhamos de andar naqueles em que iam as menores faixas etárias, como os carrinhos de corrida e o passeio de balão virtual pelas maravilhas do mundo, o qual achamos fantástico e inofensivo.

Seguimos, assim, em nossa diversão pelos parques até que encontrei uma montanha-russa que considerei adequada para adultos como nós, com apenas um loop para proporcionar uma pontinha de emoção. Foi uma escolha certeira. Nos divertimos a ponto de eu querer ir novamente. Mesmo assim, foi um pouco demais para o meu marido, que saiu de lá a passos de ganso. Repetição abortada, só nos restava encontrar os aventureiros dos brinquedos radicais, porque iríamos todos para o passeio no mundo dos Simpsons. No entanto, descobrimos na entrada, um aviso de alerta para pessoas com labirintite e hipertensão. Dessa vez, fui eu que desisti e esperei todos os outros. Não me arriscaria. Dos que foram, os menos corajosos saíram meio tontos e ressabiados. Ainda bem que tendo muito para ver, compensava aquilo em que não nos aventurávamos.

Para fechar com chave de ouro, no último dia, fomos ao show no famoso Castelo da Cinderela. Lá, as pessoas vestidas de acordo com os personagens mais famosos da Disney dão um show que encanta e emociona a todos. Nessa hora, não há como não voltar à infância, com a abertura dos filmes onde apareciam o castelo e os fogos. Era tão semelhante à imagem que conhecíamos da telinha, que parecíamos bobos dentro da nossa viagem ao mundo da fantasia. Saímos de lá extasiados e com a sensação de termos realizado um velho sonho de criança. Não é à toa que é um lugar desejado pelos pequenos e por adultos do mundo inteiro, independentemente de idade e crença, porque é isso que vemos quando estamos lá.

27/05/2023

sexta-feira, 19 de maio de 2023

Achados e perdidos de viagens

 

Foto: Anete Lusina

Falar dos achados e perdidos em viagens talvez pareça um exagero. Entretanto, quando isso me saltou aos olhos, vi que tinha seu lugar em nossas aventuras. A realidade é que dificilmente não ocorrem, apesar dos nossos cuidados e de serem imprevisíveis.

A coisa vem de longe. Descobri a importância de arrumar as camas antes do ckeck out, quando deixei uma blusa, não usada ainda, em um hotel no qual nos hospedamos no interior de Minas Gerais. Concluí que ela ficou embaixo das cobertas no momento em que arrumava a mala par a seguir viagem e a coloquei sobre a cama. Algo parecido ocorreu quando esqueci uma camisa d o meu filho em uma pousada de praia. É preciso dizer que meu marido deixou seu iPhone embaixo de um lençol, quando estávamos saindo para o Aeroporto, voltando de um outro país. Porém, quando decidi voltar da porta, percebi que ele havia jogado o lençol em cima da cama já forrada. Levantei, então, a trouxa de pano numa última checagem e vi o telefone embaixo dela. Foi o que lhe fez entender que é assim que se deixam coisas em cima da cama dos hotéis.

Chinelo não é algo difícil de ficar pelo caminho. Meu filho deixou os seus e também seu apoio de pescoço embaixo da cama, quando de passagem por Florianópolis. Mas isso não foi pior do que ele deixar cair na areia da praia o celular e este ser encontrado por alguém que se esforçou para devolvê-lo, quando estávamos em um passeio pela Paraíba. Esta foi uma das histórias mais surpreendentes. E como ele atrai essas situações! Na adolescência, resolveu mexer na pulseira de um relógio, o qual era seu favorito, ao encostar-se na mureta de uma ponte sobre o Tâmisa, em Londres. E lá se foi seu marcador de horas. No fundo desse rio, ele repousa até hoje. Por ser distraído, bastou uma visita a um museu para, em um único lugar, perder dois itens: um cachecol que, por sorte, foi recuperado na recepção, e uma touca de frio, que não teve o mesmo destino, encontrando outra cabeça para aquecer. Na mesma cidade, em uma Igreja, deixou o gorro cair, alguém o encontrou e o deixou sobre um corrimão. Casualmente ao reconhecê-lo, o resgatei, e depois incrédula fui perguntar ao dono se não havia dado falta de nada.

Para não ter o direito de reclamar, na mesma viagem, meu marido perdeu a mochila em um magazine. Quando foi procurá-la, ela já havia sido levada para a seção de achados e perdidos. E no final da viagem, deixei meu chapéu de tecido, o qual era meu xodó, sobre a mesa de um restaurante.

No rol das desatenções, meu filho perdeu duas carteiras. Uma, supostamente, ficou em um táxi em Nova York e a outra foi deixada em um trem em Otawa, por ocasião de outras férias. A última foi recuperada na estação após ser encontrada por uma alma honesta. Para quem anda com artigos de fotografia como ele, nada pior que esquecer um tripé em um parque, após tirar algumas fotos ou deixar a máquina fotográfica em cima de um freezer, em um posto de gasolina. Isto ocorreu em uma pequena cidade no interior do Chile. Desta vez, tivemos que pagar a quem a encontrou para que nos restituísse o que não lhe pertencia. Infelizmente, nem sempre as pessoas pensam que devem devolver algo de graça.

Para minha grande tristeza, mas para a alegria de quem o encontrou, perdi em uma praia do Ceará, um óculos de sol Ray Ban que caiu acidentalmente da bolsa. Ao passar uns dias na casa de uma amiga na França, perdi um batom, que comprara para dar de presente e uma escova de cabelos. Eu sabia que estavam no quarto onde ficamos, mas não conseguia encontrá-los. Tempos depois, a dona da casa achou os perdidos.

É possível que outros infortúnios do tipo tenham nos ocorrido. Porém, a lista se alongaria além da paciência do leitor, sendo um inventário de achados e perdidos que que se avolumaria em narrativas. Na melhor das hipóteses este aqui pode ser um alerta para distraídos como nós. Quem sabe a nossa experiência possa servir de livramento para outros viajantes. Boa sorte!

19/05/2023