sexta-feira, 19 de maio de 2023

Achados e perdidos de viagens

 

Foto: Anete Lusina

Falar dos achados e perdidos em viagens talvez pareça um exagero. Entretanto, quando isso me saltou aos olhos, vi que tinha seu lugar em nossas aventuras. A realidade é que dificilmente não ocorrem, apesar dos nossos cuidados e de serem imprevisíveis.

A coisa vem de longe. Descobri a importância de arrumar as camas antes do ckeck out, quando deixei uma blusa, não usada ainda, em um hotel no qual nos hospedamos no interior de Minas Gerais. Concluí que ela ficou embaixo das cobertas no momento em que arrumava a mala par a seguir viagem e a coloquei sobre a cama. Algo parecido ocorreu quando esqueci uma camisa d o meu filho em uma pousada de praia. É preciso dizer que meu marido deixou seu iPhone embaixo de um lençol, quando estávamos saindo para o Aeroporto, voltando de um outro país. Porém, quando decidi voltar da porta, percebi que ele havia jogado o lençol em cima da cama já forrada. Levantei, então, a trouxa de pano numa última checagem e vi o telefone embaixo dela. Foi o que lhe fez entender que é assim que se deixam coisas em cima da cama dos hotéis.

Chinelo não é algo difícil de ficar pelo caminho. Meu filho deixou os seus e também seu apoio de pescoço embaixo da cama, quando de passagem por Florianópolis. Mas isso não foi pior do que ele deixar cair na areia da praia o celular e este ser encontrado por alguém que se esforçou para devolvê-lo, quando estávamos em um passeio pela Paraíba. Esta foi uma das histórias mais surpreendentes. E como ele atrai essas situações! Na adolescência, resolveu mexer na pulseira de um relógio, o qual era seu favorito, ao encostar-se na mureta de uma ponte sobre o Tâmisa, em Londres. E lá se foi seu marcador de horas. No fundo desse rio, ele repousa até hoje. Por ser distraído, bastou uma visita a um museu para, em um único lugar, perder dois itens: um cachecol que, por sorte, foi recuperado na recepção, e uma touca de frio, que não teve o mesmo destino, encontrando outra cabeça para aquecer. Na mesma cidade, em uma Igreja, deixou o gorro cair, alguém o encontrou e o deixou sobre um corrimão. Casualmente ao reconhecê-lo, o resgatei, e depois incrédula fui perguntar ao dono se não havia dado falta de nada.

Para não ter o direito de reclamar, na mesma viagem, meu marido perdeu a mochila em um magazine. Quando foi procurá-la, ela já havia sido levada para a seção de achados e perdidos. E no final da viagem, deixei meu chapéu de tecido, o qual era meu xodó, sobre a mesa de um restaurante.

No rol das desatenções, meu filho perdeu duas carteiras. Uma, supostamente, ficou em um táxi em Nova York e a outra foi deixada em um trem em Otawa, por ocasião de outras férias. A última foi recuperada na estação após ser encontrada por uma alma honesta. Para quem anda com artigos de fotografia como ele, nada pior que esquecer um tripé em um parque, após tirar algumas fotos ou deixar a máquina fotográfica em cima de um freezer, em um posto de gasolina. Isto ocorreu em uma pequena cidade no interior do Chile. Desta vez, tivemos que pagar a quem a encontrou para que nos restituísse o que não lhe pertencia. Infelizmente, nem sempre as pessoas pensam que devem devolver algo de graça.

Para minha grande tristeza, mas para a alegria de quem o encontrou, perdi em uma praia do Ceará, um óculos de sol Ray Ban que caiu acidentalmente da bolsa. Ao passar uns dias na casa de uma amiga na França, perdi um batom, que comprara para dar de presente e uma escova de cabelos. Eu sabia que estavam no quarto onde ficamos, mas não conseguia encontrá-los. Tempos depois, a dona da casa achou os perdidos.

É possível que outros infortúnios do tipo tenham nos ocorrido. Porém, a lista se alongaria além da paciência do leitor, sendo um inventário de achados e perdidos que que se avolumaria em narrativas. Na melhor das hipóteses este aqui pode ser um alerta para distraídos como nós. Quem sabe a nossa experiência possa servir de livramento para outros viajantes. Boa sorte!

19/05/2023

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