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quinta-feira, 8 de junho de 2023

Viva Las Vegas

 

A expectativa para chegar à cidade dos Cassinos era grande. O glamour dos charmosos hotéis e letreiros luminosos morava em nosso imaginário. Particularmente, me apegava às lembranças de um antigo seriado com o nome "Vegas" o qual se passava naquela cidade e deixara saudades. Assim que chegamos, alugamos um supercarro com tantos botões que brincávamos dizendo que mais se parecia um avião. Só havia um problema, pois não sabíamos qual deles travava o porta-malas, então, nos primeiros dias, não deixávamos nada nesse compartimento. Até que, após inúmeras tentativas, finalmente, ao acaso, encontramos a resposta.

Nosso hotel era gigantesco como a maioria das características naquela cidade. Tivemos de encontrar uma forma de memorizar onde ficava o elevador que dava acesso ao nosso quarto, pois havia tantos corredores que era fácil nos confundirmos, depois de passar por um enorme cassino onde tudo parecia igual. Algumas curiosidades aconteciam ali: víamos sempre um grupo de jovens japoneses em um quiosque em frente aos elevadores, onde compravam cápsulas contra ressaca, que nem sabíamos que existiam. Senhoras hóspedes de bastante idade usavam shorts curtos e algumas delas gastavam muito dinheiro, até tarde da noite, em máquinas caça-níquel e em mesas de jogos de baralho. O carpete naquele espaço tinha um forte perfume que me fazia espirrar sempre que saía ou chegava no hotel. Outro fator que provocava meu nariz era a diferença de temperatura, quando saíamos à rua e o clima desértico nos alvejava, ou o contrário, quando entrávamos nos lugares climatizados. Devo ter espirrado por um ano inteiro.

Nas ruas era normal ver pessoas com copos gigantescos com bebidas alcoólicas no formato de utensílios de laboratório. Para entrar no clima, compramos nossos copos coloridos, porém em formato normal, onde tomávamos Marguerita. Para aditivá-las meu marido pedia um tubo de ensaio de vodka, que era mergulhado emborcado dentro do copo, uma novidade para nós. Mas, apesar dessa liberdade, que não existe em outros lugares naquele país, não era permitido comprar as bebidas com menores de idade por perto. Então, meu filho dava dois passos para trás e estava resolvido, assim como ele também não podia parar no Cassino quando por lá passávamos. Sempre havia um fiscal para impedir qualquer parada nem se fosse apenas para uma foto.

Normalmente, nossa diversão era andar de hotel em hotel, conhecendo suas curiosas decorações temáticas. Alguns possuíam uma verdadeira cidade dentro e boates atrativas nas quais não podíamos entrar com o nosso filho menor de idade. A cada 30 minutos, havia o show das águas nos jardins de um dos famosos hotéis. Nós as vimos várias vezes, porque sempre que passávamos e elas estavam acontecendo, não conseguíamos parar de olhá-las. No dia em que fomos a um deles comprar ingressos para um show do Cirque de Soleil, tivemos que pegar um monotrilho que dava acesso ao local. Foi algo curioso, porque andávamos sempre a pé pela rua principal onde ficam todos os hotéis, os quais são a maior atração da cidade.

No passado, entretanto, havia uma outra rua principal, hoje conhecida como “A rua coberta” em cujo teto um show de imagens é projetado. Fomos conhecer essa rua, onde vimos as famosas Drag Queens da cidade, com suas fantasias decotadas e cheias de plumas. Só não chamavam mais atenção do que as moças que ofereciam seus serviços apenas com a parte de baixo do biquíni, na frente de um dos hotéis. Após uns dias, a gente se acostuma com isso e, também, com os cartões de propaganda desses serviços, cartões esses livremente entregues nas ruas, o que justifica a fama de “Cidade do pecado”.

Excepcionalmente, saíamos de carro e o dia do passeio ao Grand Canyon foi uma dessas ocasiões. Fomos conhecer a maior formação natural do mundo. Jamais vi algo parecido e nem devo ver.Quando havia um helicóptero sobrevoando a abertura do cânion era como se fosse uma mosca. Suas dimensões gigantescas são assustadoras. As bordas são perigosas e para olhar o fundo é preciso deitar no chão, pois os que se arriscam a ficar em pé podem terminar caindo e morrendo. O pior é que isso ocorre algumas vezes a cada ano. Existe uma plataforma de vidro para observação em um ponto do Canyon. Pagamos para conhecer, mas depois descobrimos que existia outro ponto com uma vista muito mais bonita e impressionante. Concluímos que não há como descrever a beleza e a grandiosidade desse local.

De lá fomos conhecer a gigantesca barragem da represa Hoover Dam, um lugar com uma temperatura tão elevada que, imediatamente, passei mal. Tiramos algumas fotos, rapidamente, e fomos embora. No trajeto, vimos o famoso deserto de Mojave. Realmente parece o solo lunar. Um lugar estranho, insalubre que provocou dezenas de mortes, quando da construção da represa. É o outro lado de história, que pesquisei posteriormente, confirmando minhas suspeitas.

Para não fugirmos à tradição turística da cidade, no último dia, tiramos fotos na famosa placa com o nome “Las Vegas”. Missão cumprida e sem mais pecados, fomos embora depois de uma semana na “Disney dos adultos”. E viva Las Vegas! (Como diz a famosa canção gravada pelo rei Elvis Presley)

08/06/2023