quinta-feira, 2 de março de 2023

O paraíso dos raios



Céu tempestuoso de Clearwater

Quando alguns destinos se tornaram muito dispendiosos para o turismo, os que gostam de viajar passaram a procurar novas possibilidades. Foi nesse contexto que meu marido e eu pensamos em conhecer Key West, uma adorável ilha ligada à Florida por incontáveis pontes que formam uma das estradas mais bonitas do mundo. Uma paisagem para nós coroada com um pôr de sol no mar que nos convidou a parar para apreciá-lo. Nessa hora, estávamos quase lá onde seria o ponto final de um conjunto de pequenos pedaços de terra. Ficamos encantados com o mar de um azul clarinho, com águas transparentes e mornas como são as praias banhadas pelo Golfo do México. Um lugar perfeito para um mergulho, do qual era difícil de sair devido à sensação agradável promovida por essa combinação natural.

Após essa experiência, pensamos na possibilidade de conhecer outra ilha no mesmo estado e, no ano seguinte, fomos para Clearwater. Lá fomos para outras praias de águas límpidas e preparadas para receber os visitantes, com banheiros limpos, salva-vidas e restaurantes. O que não sabíamos é que estávamos no lugar onde ocorrem mais tempestades elétricas naquele país. Logo na chegada, quando fomos passear pela cidade e andávamos pela rua principal, fomos surpreendidos por uma grossa chuva repentina. Enquanto nos abrigávamos em um restaurante, assistíamos ao show de raios que riscavam o céu. Não imaginávamos que esse fenômeno da natureza seria presença comum naqueles próximos dias de viagem.

Bastou o primeiro dia de praia para sermos convidados pelos salva-vidas a nos retirarmos assim que os primeiros pingos de uma neblina começaram a cair. Descobrimos que chuva e praia são uma condição de alerta máximo para fugir das descargas elétricas naquela região. No segundo dia, já vimos no noticiário local que três pessoas tinham sido atingidas por um raio em frente a um hotel por onde havíamos passado um pouco antes. Depois disso, ficamos de olhos bem abertos.

Mesmo com todos os cuidados, seguimos para Fort Myers, uma outra praia, que supúnhamos mais segura. Quando resolvemos tomar um banho na piscina do hotel para aliviar o calor de um típico verão, eis que um raio caiu bem próximo de onde estávamos. De repente, não havia mais ninguém dentro d’água e entendemos que era para sairmos mais que imediatamente. Ao perceber a urgência da situação, me retirei tão abruptamente., sem usar a escada, que sofri um tremendo machucado no joelho, o qual deixou uma cicatriz como registro do susto. Meu marido, que estava fora e tinha visto a descarga, correu assustado para nos avisar, encontrando-nos já fora, também, e muito assustados . O banho de piscina, por ora, estava suspenso.

Conhecemos diversos lugares tanto nas ilhas como nessa última cidade em que estivermos, todos de uma beleza que viverá em nossa memória. Ainda cogitamos um dia retornar à bela Key West, porém, quanto a Clearwater, preferimos nos manter a salvo. Valeu pelas admiráveis paisagens, pelos passeios de barco, pelos crepúsculos pintados de dourado que apreciamos, mas lidar com as tempestades repentinas e seus riscos não está em nossos planos. Não é à toa que é uma parte do mundo assombrado por eventuais furacões, afinal o impressionante aspecto apocalíptico daquele céu fatalmente tem seu preço.

02/03/2023

Um comentário:

  1. Seus textos estão ótimos, Oriana. São superinteressantes! Parabéns!

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