quinta-feira, 16 de fevereiro de 2023

A foto do termômetro

O termômetro - Gramado

Pouco mais de uma década havia se passado, quando nos reencontramos para uma nova aventura, dessa vez, acompanhados de três crianças. De um lado, meu marido, nosso filho de 11 anos e eu; do outro, meu primo, a esposa e duas filhas gêmeas de 6 anos. Se anos antes a nossa vibe era de emoções e brincadeiras de adultos, agora, primordialmente, nossa programação visava à diversão dos nossos filhos.

Foi com esse espírito que chegamos a Gramado. Prevenidos, compramos com antecedência ingressos para diversos eventos da época. Era o período do Natal Luz, e o frio e os motivos natalinos estavam por toda parte. Fomos para as mais diversas atrações, desde o teatro de bonecos até o incrível show de luzes no Lago Joaquina Rita Bier. A todo momento nos impressionávamos com a capacidade desses eventos de fazerem adultos e crianças mergulharem no mundo da magia e da fantasia.

No entanto, como nem tudo são flores, e o encantamento nos cega, em um dos primeiros dias, distraídos assim como são os turistas, deixamos o carro estacionado em uma rua qualquer e fomos passear pela cidade. Era noite e andamos pelo centro, olhando tudo o que podíamos. As lojas abertas até tarde nos atraíam com suvenires cheios de beleza e lindos acessórios para frio. A certa altura, meu primo voltou para o hotel e resolvemos ficar um pouco mais a fim de aproveitar cada centímetro daquele lugar.

Entretanto, uma chuva repentina logo depois nos fez decidir retornar também. Despreocupados fomos pegar o carro, e foi quando descobrimos não termos memorizado o local onde o havíamos deixado. Entramos em inúmeras ruas sem encontrá-lo. A certa altura, me abriguei da chuva em um local com meu filho, enquanto o marido “caçava” o veículo.

Cansado de procurar, voltou derrotado e a saída pensada seria ligar para o primo pedindo ajuda. Ele nos pegaria e no outro dia voltaríamos para tentar localizar o automóvel que havíamos locado para essa viagem. Quando já íamos contactá-lo, porém, lembrei que ao estacionarmos o carro, eu tinha tirado uma foto em frente a um termômetro todo ornado com flores. A ideia seria mostrar a foto a alguém na tentativa de que o local fosse reconhecido.

Fomos, então, a uma farmácia e mostramos ao atendente que imediatamente identificou o lugar e nos ensinou a chegar lá. Foram duas alegrias naquela noite: a notícia de onde estaria a nossa condução e encontrá-la, após estarmos extremamente cansados e com frio intensificado pelas roupas molhadas de chuva. Problema sanado, um novo dia surgiria com novas aventuras pela frente.

Como disse antes, o frio era nosso companheiro. E no dia em que haveria o grande desfile na rua principal da cidade, nos preparamos para assistir a ele, em uma arquibancada ao ar livre. Só um lindo espetáculo como aquele para nos fazer esquecer a temperatura. Porém, meu marido e o primo acharam que poderiam encontrar uma maneira mais fácil de se aquecerem. Com uma desculpa qualquer, saíram e, após um tempo, voltaram risonhos alegando que não estavam com o mesmo frio que nós. Quando perguntamos o motivo, a resposta foi que estavam acima do tempo, um por ser militar e outro por ser cearense. Logo percebemos que havia treta naquelas falácias. Nada como uma cachaça daquelas que desce queimando para esquentar até os fios de cabelo, verdade que só arrancamos deles tempos depois, quando a mesma piada encontrou lugar novamente.

No meio daquela programação natalina, destacamos um dia diferente, quando iríamos a um parque em Canela. Seria a minha primeira vez em um cinema 4D, com um filme livre para todas as idades. Foi por onde começamos. Viramos crianças mais uma vez. Os gritos tomaram conta com sensações de quedas bruscas, bafo de cobra, pulos de rãs, bichos dos quais tenho pavor, e outras falsas realidades. Quase saí correndo de lá. Rimos até não poder mais com a reação uns dos outros.

O passo seguinte seria descer em um trenó em alta velocidade através de um trilho. Vergonhosamente, me recusei a participar daquela brincadeira, a qual as crianças amaram. Fiquei, então, com a incumbência de fotografar as três duplas em suas descidas desembestadas. Sem saber mexer em uma câmera não recomendada para amadores, me atrapalhei e o registro só foi possível porque o parque filma e vende as imagens aos turistas. Tarefa de profissional! Esse dia foi de adrenalina para todos, além de ter sido o de também por conhecermos a cidade que faz dupla com Gramado.

Não houve quase nada que não tivéssemos aproveitado ali e no entorno. E para encerrar aquela viagem de pura diversão para todos, comemos um delicioso churrasco com polenta e queijo, típico da região. Mais uma vez, a bagagem voltou lotada de boas lembranças e excesso de peso com o tanto que trouxemos de lá. As fotos dos nossos passeios ficaram eternizadas em nossos álbuns, assim como tantas outras, mas a do termômetro, inevitavelmente, será sempre especial.

23/02/2023

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Comenta aqui o que você achou